Diante da variedade de aplicações disponíveis no mercado financeiro, a possibilidade de delegar a um robô a escolha entre os melhores prazos e taxas deixou de ser futurista. Apesar de tímida, a adesão a robôs de investimento vem ganhando terreno desde o ano passado, principalmente com o surgimento de fintechs especializadas.

Antes restrita a grandes investidores e instituições financeiras, a automatização da negociação de ativos chega à pessoa física em moldes simplificados. Esta é também uma das apostas do ano das principais corretoras que atuam com esse público, para atrair a clientela.

A gaúcha Oi Warren é a mais nova fintech a entrar no ramo.

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A companhia começou a operar na semana passada com 500 investidores, mas já possui uma fila de espera de cerca de 14 mil interessados.

Para determinar o quão conservador ou arrojado um cliente é, a fintech adotou um descontraído chat de internet. Depois, para finalizar a escolha do produto, a Oi Warren faz um cruzamento entre o perfil do investidor, seu objetivo e o prazo para conquistá-lo.

“Nem mesmo quem dedica 100% do tempo a investir tem garantia de que vai bater o desempenho do mercado como um todo. Logo, é muito mais eficiente fazer a alocação que permita o maior retorno com a menor volatilidade e permanecer com ela”, afirma Tito Gusmão, um dos fundadores da fintech. Segundo ele, a Oi Warren faz um balanceamento automático das aplicações e pode, inclusive, monitorar a interação do investidor com a plataforma e constatar que ele é mais arrojado do que de fato constatou o primeiro teste.

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O custo para investir pela Oi Warren é de 0,80% ao ano sobre o patrimônio líquido do fundo, acrescido de um residual por conta dos custos para manter os ETFs. Segundo Gusmão, no pior dos cenários o custo aumenta para 0,85%. A plataforma exige investimento mínimo inicial de R$ 100, substancialmente menor do que de seus pares. “Para ter lucro, não é o valor que precisamos. Mas faz parte da estratégia de popularizar a Oi Warren e ganhar em escala”, diz Gusmão. Por enquanto, apenas a versão desktop está disponível, mas um aplicativo para celulares com iOS deve ser lançado em breve. Depois, será a vez dos sistemas Android.

“Robôs ajudam quando oferecem auxílio profissional a um custo mais baixo, mas a competência dos profissionais que programam esses robôs é que vai determinar o sucesso da estratégia”, diz o planejador financeiro Valter Police, membro da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar, antigo IBCPF).

Enquanto as decisões que movimentam trilhões de dólares pelo mundo são tomadas aos montes e em frações de segundo, os robôs para os pequenos investidores têm estratégias possíveis de acompanhar em tempo real e, em alguns casos, deixam para o cliente a ordem final de compra ou venda de determinado produto.

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Diretor presidente da BLK Sistemas Financeiros, empresa que desenvolve algoritmos para grandes empresas, Eduardo Blank afirma que a automatização não vai eliminar a figura do gestor de recursos. “Pelo contrário, o gestor é necessário para ajustar o comportamento dos robôs”, diz o executivo.

Há mais tempo no mercado, as fintechs Magnetis e Vérios notaram no ano passado um crescimento acelerado no número de investidores. Parceira da corretora Easyinvest, a Magnetis entrou em operação em 2015 e, segundo o fundador, Luciano Tavares, já elaborou planos de investimento para 20 mil interessados. Nem todos, contudo, se tornaram clientes da startup, que não revela o dado.

Em operação desde julho de 2016, a Vérios viu sua base de clientes crescer 42% até dezembro. “A expectativa é de gerenciar R$ 100 milhões até o Carnaval”, diz Felipe Sotto-Maior, presidente da startup, que atua em parceria com a corretora Rico.

A XP Investimentos, que comprou a Rico em dezembro, também pretende lançar seu próprio robô. Porém, segundo Raony Rossetti, líder de varejo da área de renda variável, o lançamento ainda não tem data prevista. #Dinheiro #Economia