O Comitê de Política Monetária (#Copom) do Banco Central se reúne nesta terça-feira, 21, e nesta quarta-feira, 22, para definir se reduz ou não a taxa básica de juros (Selic), que está atualmente em 13%. Com três diminuições desde outubro de 2016 e com o baixo índice da inflação, há pressão do governo do presidente Michel Temer para que a tendência de queda continue e se acentue. No entanto, o mercado financeiro considera que a redução deverá se manter em 0,75 ponto percentual, como ocorreu em janeiro.

O otimismo para continuar derrubando a #taxa de juros que rege a economia brasileira se dá pela forte desaceleração da inflação.

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Em janeiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou alta de 0,38%, o mais baixo desde o início da medição, iniciada em 1979. Isso provocou comemoração e alívio no governo federal, que inclusive passou a fazer campanha aberta em prol da quarta redução consecutiva dos juros pelo #Banco Central.

Temer recordou que, em pouco tempo, a inflação foi reduzida de 10,7% para 5,35%. No entanto, as cobranças foram amenas, já que o Banco Central tem se mostrado compromissado em afrouxar a corda do pescoço da economia. Durante evento em São Paulo na última segunda-feira, o presidente da República ressaltou que a confiança na economia vem sendo retomada e que a Selic deverá continuar caindo de forma natural e responsável.

Já o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Congresso e economista por formação, demonstrou apoio para que haja a queda de um ponto e não apenas 0,75% por conta dos preços e da inflação estarem controlados e também por não haver mais uma pressão tão forte no câmbio.

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Analistas recomendam cautela

Porém, os analistas financeiros demonstram uma cautela maior, apesar de considerarem que o Banco Central irá seguir no caminho da redução dos juros. O Broadcast, do Grupo Estado, ouviu 68 instituições financeiras e apenas uma considerou que a Selic cairá de 13% para 12%. Todas as demais foram categóricas em afirmar que a diminuição se concentrará em 0,75%, alcançando os 12,25%.

A justificativa para uma derrubada não tão agressiva estaria não no cenário interno, mas no externo. Segundo Alberto Ramos, do Goldman Sachs, a queda dos preços favorece o cenário para que os juros caiam, porém, a incerteza no cenário financeiro mundial e a alta do juro do dólar restringem uma maior ousadia neste quesito.

Para Rogério Braga, diretor da Quantitas Gestão de Recursos, a inflação corrente caiu rapidamente. O Copom deve, na visão dele, buscar o equilíbrio e, para isso, não deveria acelerar os cortes. Mas faz um alerta: caso o Banco Central não promova reduções mais fortes da taxa básica de juros até o fim deste primeiro semestre, dificilmente conseguirá fazer posteriormente, devido a um cenário mais complicado da economia.