O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, soma das riquezas produzidas durante um ano no país, caiu 3,6% em 2016, de acordo com dados divulgados pelo IBGE. A queda é a segunda consecutiva. Em 2015, a economia fechou com o resultado negativo de 3,8%. Em 2014, o índice terminou estável, com crescimento de 0,1%.

Desde o início da recessão, a economia brasileira encolheu 9,1%. Traduzindo esses números em palavras mais simples, podemos dizer que o brasileiro de 2017 está mais pobre que o de 2014, primeiro ano da #Crise que ainda não tem data para ir embora.

Orçamento apertado

As famílias sofrem para manter as contas em dia e a despensa abastecida.

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A renda média dos trabalhadores brasileiros caiu 9,1% em dois anos, de acordo com o IBGE; ou seja está faltando dinheiro. A situação é parecida com a dos anos 80, quando a renda média despencou 12,6%, com base em um estudo do Bradesco. Não por acaso, esse período ficou conhecido como "década perdida".

A situação de hoje tem um agravante: o #Desemprego alto. Com 12,3 milhões de trabalhadores em busca de emprego, o índice de desocupação calculado pelo IBGE é de 12% da força de trabalho. Nos anos 80, no auge da crise entre 1981 e 1983, o desemprego ficou na casa dos 7%.

Luz no fim do túnel

Apesar da situação grave, economistas vêm sinais de retomada, ainda que bastante tímidos. A forte recessão e um ciclo de alta nas taxas de juros arrefeceram a inflação, que passava dos 10% em 2014, está em 5%, perto do centro da meta de 4,5% estabelecida pelo Banco Central.

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Isso abre espaço para um corte na taxa de juros básica da economia, Selic, o que pode estimular novos investimentos na economia, principalmente no setor produtivo.

Outro dado que animou o mercado foi o índice de produção industrial de janeiro deste ano, divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (8). Ele subiu 1,4% na comparação com janeiro de 2016, interrompendo uma série de 34 meses de resultados negativos.

O índice calcula a produtividade da indústria. E quando ele está positivo significa que as fábricas estão produzindo mais para atender o mercado, o que em médio prazo, caso a tendência de melhoria se confirme, pode significar mais empregos.

Incertezas

O cenário político conturbado joga uma nuvem de incertezas sobre o futuro da economia brasileira. A instabilidade em Brasília, onde os principais nomes do poder estão enrolados na Lava Jato deixa os mercados e investidores preocupados, o que pode frear novos projetos no país.

A agenda de reformas do governo Temer, que inclui a restruturação da previdência e a modernização das leis trabalhistas - em vigor desde a "Era Vargas" -, é bem vista por investidores estrangeiros e empresários nacionais.

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No entanto, falta confiança na capacidade do governo de conduzir as mudanças, que vão gerar atritos na sociedade.

Dependendo de quando as tão faladas listas de delatores da Lava Jato se transformarem em processos em condenações contra políticos, os esforços do governo atual podem derreter. Por enquanto, qualquer previsão é aposta de alto risco. #Recessão no Brasil