A operação da Polícia Federal denominada Carne Fraca, que descobriu adulterações em mais de 30 empresas do ramo alimentício - especialmente frigoríficos - tem causado repercussão negativa para o setor do agronegócio não só no Brasil, como no exterior.

Recentemente, o jornal New York Times publicou reportagem afirmando que o escândalo da adulteração praticada por frigoríficos que atuam com o processamento de carnes suínas, bovinas e de aves "lança dúvidas sobre a indústria do agronegócio no Brasil, um pilar relativamente firme da fraca economia do país".

Ainda de acordo com o periódico, a investigação da PF é mais um "golpe" na economia brasileira, já que o país vem lutando para tentar se recuperar de escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras e a Odebrecht.

Publicidade
Publicidade

A Operação Carne Fraca investiga empresas pertencentes aos dois maiores grupos de produtos alimentícios brasileiros, a JBS, detentora de marcas como Swift, Friboi e Seara, e a BRF, dona da Perdigão e da Sadia, dentre outras empresas do setor.

Uma das acusações mais graves diz respeito a um esquema de corrupção de fiscais do Ministério da Saúde, permitindo a liberação de alimentos adulterados, com a utilização de técnicas para mascarar produtos vencidos e aumentar o peso das carnes, por exemplo.

A hipótese ventilada pela PF é que as propinas oferecidas pelas empresas aos fiscais teriam como destino partidos políticos. A reportagem do New York Times detalhava todo o esquema de propinas, informando o nome do PMDB como destino.

"Fiscais falsificavam liberações sanitárias, e propinas eram canalizadas para o Partido do Movimento Democrático Brasileiro, do presidente Michel Temer, segundo autoridades", revelou o jornal.

Publicidade

O periódico demonstra preocupação com o destino do grupo JBS, a quem chama de "uma das maiores produtoras de carne do mundo", assim como a BRF que, no texto, é chamada de "grande exportadora de carne para o Oriente Médio e a Ásia".

Indústria da carne sob suspeita

A repercussão internacional da operação foi muito forte, já que inúmeros veículos de comunicação trouxeram matérias sobre o tema.

Nos Estados Unidos, além do New York Times, o caso foi destaque na rede de TV CNN e no jornal The Washington Post, que usaram expressões como "carne podre" e "esquema de corrupção" para se referir ao assunto.

Na Inglaterra, o jornal Financial Times levantou dúvidas sobre o futuro do agronegócio no Brasil, em função do escândalo. O jornal afirmou que o problema vai levantar "preocupações" sobre a indústria de carnes brasileira, que é hoje uma das mais importantes do mundo. #agronegocio #"Indústria da carne sob suspeita #Carne Fraca repercussão negativa