Conforme noticiado, entidades de empresários e trabalhadores vêm alertando para o risco de esvaziamento da #indústria nacional no setor petróleo e gás, como reflexo da diminuição do conteúdolLocal, decidido pelo governo federal em 22 de fevereiro. O governo reduziu para 50%, quando esteve em torno dos 60%.

Tal mudança passa a valer nos leilões de petróleo realizados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A 14ª Rodada de Licitação de Petróleo e Gás Natural está prevista para novembro.

Em entrevista à Carta Capital, em 22 de março, o empresário analisou diversos aspectos da presente #Crise econômica por que passa o país; mostrou-se bastante preocupado com o rumo adotado pelo governo federal para tirar o país desta condição e implementar o crescimento econômico.

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Marchesan considerou "burra" a redução do #conteúdo local de bens e serviços nas atividades do setor petróleo e gás. A Petrobras é a maior contratante destes serviços. A decisão do governo abrirá mais espaço para que empresas estrangeiras façam suas escolhas em seus países de origem, não aqui.

Quanto à redução do conteúdo local, o empresário foi contundente: "A decisão é burra em relação à indústria brasileira, mas atende perfeitamente aos interesses das grandes companhias mundiais de petróleo. Elas fizeram forte pressão sobre o governo e agora participarão, ao lado da Petrobras, dos próximos leilões de blocos exploratórios de óleo e gás e poderão trazer de qualquer país equipamentos isentos, enquanto os fabricantes locais são tributados".

Ele apontou setores da indústria brasileira que está sentindo muito a atual crise, como o cimento, reduzido em 50%; a siderurgia, em -50%; a fabricação de caminhões, -80%; e bens de capital com retração de 50%.

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Ele defende a redução spread dos bancos para promover a redução do custo do dinheiro, mas os banqueiros relutam em função da crise.

O presidente da Abimaq disse que esteve recentemente em Brasília, visitou praticamente todos os ministérios e autoridades. A impressão que teve é que no governo "não tem nenhuma noção" dos riscos que corre a indústria nacional. "Vi claramente que a percepção desse risco não passa pela cabeça dos governantes. A única coisa que eles têm em mente é ajuste, ajuste, ajuste. Acho importante, mas a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. E o governo errou na dose".

Marchesan acredita que o país vive uma crise pior que a dos anos 1980, período considerado por muitos analistas como a era perdida.

O empreendedor disse que o país tem 13,9 milhões de desempregados e 22 milhões no subemprego, o que tem causado um caos político-social insustentável.

Movimento Produz Brasil

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) havia criticado, em dezembro de 2016, as pretensões do governo federal de reduzir o Conteúdo Local no setor de petróleo e gás natural e disse que tal decisão comprometeria o emprego de milhares de trabalhadores, bem como a renda nacional e o investimento das empresas.

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Neste momento, a Fiesp anunciara a criação do Movimento Produz Brasil, que entre outras coisas, é contrário à redução do Conteúdo Local.

Em 16 de fevereiro deste ano, as federações das indústrias, associações empresariais e de trabalhadores, que integram o Movimento Produz Brasil, lançaram um manifesto contra a redução do conteúdo local, pela retomada do crescimento econômico e recuperação da indústria no país.

Entre outras reivindicações apresentadas, o movimento defende "a manutenção de medidas de conteúdo local nas próximas rodadas de licitação no setor de óleo e gás, em nível que permita a utilização da grande capacidade ociosa ora existente nas empresas instaladas no Brasil, nacionais ou estrangeiras". Se não houver medidas por parte do governo neste sentido, os empresários estimam que cerca de um milhão de trabalhadores perca seus postos de trabalho.