A dureza dos orçamentos minguados dos tempos de crise obriga a se pensar soluções criativas ou a recorrer a atitudes extremas, e indigestas, para garantir o sustento e amenizar as dificuldades decorrentes desse período de vacas magras.

Segue alguns exemplos:

Precursores do Uber

Os russos devem ter recebido com pouco entusiasmo o surgimento do serviço do Uber, pois há muito tempo, décadas, se utilizam da prática de transporte de passageiros com uso de carro particular.

Popularizada no período agonizante e inflacionário da extinta URSS, o conceito de “carona urbana paga” foi uma das formas para se driblar os perregues da #Crise econômica.

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Qualquer cidadão podia acenar com a mão espalmada em uma estrada e negociar com o motorista ocasional o lugar de destino e o valor, mais atrativo que a tarifa dos táxis, e prosseguir viagem.

É uma prática ainda realizada, mas arrefecida pela melhora econômica e pelo temor de caronas com motoristas, e passageiros, inconvenientes.

Tom e Jerry se deram mal

Os argentinos são reconhecidos pela intensidade, a dramaticidade muito bem expressa nos doloridos tangos que acaba se refletindo em instâncias fundamentais como política e economia.

Talvez não seja exagero dizer que seja o país mais instável no continente, com diversas revoluções e crises econômicas ao longo da #História.

A crise mais traumatizante, ou uma das, foi a de 2001, que culminou com o megaconfisco bancário, semelhante ao concretizado por Collor no Brasil quase uma década antes, levando milhares de pessoas as ruas.

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O jornalista Ariel Palacios, em seu livro Os Argentinos (Contexto, 2015), relata que ouviu na periferia da cidade de Quilmes instruções de como preparar carne de gato para deixá-la “mastigável”: uma hora em fogo baixo e ainda recomendou-se temperar com alho para se ter um gosto mais agradável.

A crise era tão profunda que nem os ratos escaparam das panelas vazias dos moradores de favelas. Ao menos, tentaram se prevenir de doenças os lavando com água sanitária.

É o que tem pra hoje...

Alimentando o sonho de superar a industrialização da gigante Inglaterra em apenas 15 anos, o líder supremo da China comunista, Mao Tsé-tung, lançou o “Grande Salto Adiante” em 1958.

O projeto intensificou a chamada coletivização dos campos, onde agricultores dividiam seus terrenos de produção com outros trabalhadores e cediam as propriedades ao Estado. Abolia-se o costume de se dedicar o tempo integral de trabalho em apenas um ofício. Camponeses e operários foram designados a alternar o expediente com uns exercendo a profissão dos outros.

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O resultado foi um colapso na produção agrícola acarretado em uma das maiores tragédias da humanidade com cerca de 30 milhões de pessoas morrendo de fome.

A extrema penúria obrigou a alguns camponeses a se nutrirem com cascas de árvores, plantas e terra.

Em alguns casos, recorreu-se a prática do canibalismo.

Um par de sapatos por um corte de cabelo

Voltando para crise argentina de 2001, para melhorar o indigesto cardápio e ter acesso a itens básicos elaborou-se um sistema de troca que envolvia trabalhos e objetos, sem a necessidade do valor em papel ou moeda.

Eram espaços em que os moradores negociavam trocas de pertences ou de serviços. Por exemplo, Don Diego precisava de um par de sapatos e descobriu que dona Recoleta estava disposta a trocar os sapatos do falecido marido. Para consegui-los, ofereceu, em troca, suas habilidades de cabeleireiro.

Tais espaços ficaram conhecidos como “clubs del truenque” originando-se primeiramente na periferia, mas logo ganhando adesão nos bairros mais nobres. #Curiosidades