Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da #Agricultura, Luís Eduardo Rangel, disse nesta sexta-feira (23) ao portal G1 que acredita que a suspensão das importações de carne bovina fresca brasileira anunciada pelos Estados Unidos foi motivada por "excesso de zelo" como resposta a pressões políticas e comerciais.

"Temos que entender que os americanos estão sofrendo pressão por ser um mercado importante. Existe uma pressão muito grande, de sinais políticos aos consumidores. Eu acredito que venha a ser um excesso de zelo, do governo americano, em resposta a está pressão", disse.

Ele também falou que ainda é muito cedo para qualquer ação do governo na Organização Mundial de Comércio (OMC) e afirma que fará os ajustes pedidos pelo governo americano.

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Se confirmado que trata-se de pressão comercial, o governo brasileiro irá sentar com autoridades americanas para negociar.

EUA e a carne bovina brasileira

17 anos: foi o tempo que durou as negociações do #Brasil com os EUA para autorizar o país a exportar a carne brasileira. As negociações tiveram fim em julho de 2016.

Na noite de quinta (22), o ministro da Agricultuira, Blairo Maggi, declarou que deve viajar aos EUA para tentar restabelecer as exportações.

Relação comercial

Na quarta-feira (21), o Departamento de Agricultura americano anunciou o bloqueio das exportações da carne fresca brasileira. Em comunicado, o departamento informou que está testando 100% da carne brasileira que entra nos EUA. Nesses testes, 11% dos produtos de carne fresca brasileira importados foram rejeitados.

"Este resultado está substancialmente acima da taxa de rejeição de entregas vindas de outras partes do mundo", informou o departamento.

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Não há riscos à saúde

O secretário de Agricultura brasileiro disse que os problemas relatados pelos Estados Unidos não representam ameaça à saúde, em caso do consumo do produto. Segundo ele, os problemas relatados se referem apenas à parte de limpeza e ao preparo do produto.

"Não oferece nenhum risco sanitário. Nossa primeira análise, com os fundamentos apresentados, é de que não acreditamos que a suspensão foi por questões sanitárias e sim de qualidade", afirmou.

Rangel disse que os Estados Unidos relata frequentemente problemas como abcesso decorrente da vacina contra a febre aftosa, coágulos e fragmentos de ossos na carne.

Segundo o secretário, a Operação Carne Fraca da Polícia Federal, que resultou no escândalo de adulteração da carne brasileira, não afetou a exportação ou a colocou em evidência.

"Ela [a carne brasileira] está mais em evidência. É um mercado muito agressivo, no mundo inteiro. Não existe vácuo. Qualquer saída de um player é muito comemorada pelos seus concorrentes. E os episódios da Carne Fraca colocaram em evidência a carne brasileira", afirmou.