O jornal O Globo divulgou, na terça-feira (13), um levantamento feito no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que indica que a #JBS vendeu cerca de R$ 483,8 milhões em ações da empresa, entre os meses de abril e maio deste ano.

Essa manobra dos controladores das ações da empresa evitou que o grupo perdesse cerca de R$ 116,8 milhões, após o escândalo da delação premiada dos donos da empresa, os irmãos Batista.

As delações vieram a público no dia 17 de maio e, desde então, os papéis da empresa não pararam de cair. Na semana passada, as ações da JBS desvalorizaram 23,37% e fecharam na B3, antiga Bovespa, em R$ 7,28.

Publicidade
Publicidade

Se o mesmo volume de ações vendido anteriormente fosse negociado na semana passada, a empresa receberia cerca de R$ 367 milhões. Tomando como referência o valor resgatado entre abril e maio, que foi de R$ 483,8 milhões, o grupo evitou a perda de R$ 116,8 milhões em dois meses.

Especialistas consideram caso como ‘Insider Trading’

A venda de ações da JBS antes da divulgação da #Delação premiada dos irmãos Batista não foi vista com naturalidade pelos analistas do mercado financeiro. O Globo entrevistou alguns especialistas que consideraram essa manobra como claro uso de informações privilegiadas. Esse tipo de negociação é considerada crime e os condenados podem pagar com até 5 anos de prisão, além de multa até três vezes do total da transação ilícita.

As negociações dos papéis da JBS iniciaram em 20 de abril.

Publicidade

Na ocasião, os irmãos Joesley e Wesley Batista já negociavam com a Procuradoria-Geral da República a delação premiada.

Joesley Batista se encontrou com o presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu, no dia 7 de março, quando gravou a conversa que o comprometeu. A gravação mostra o presidente supostamente concordando com a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

O jornal O GLOBO, por meio do colunista Lauro Jardim, publicou o teor da delação de Joesley no dia 17 de maio, quando o mercado financeiro já estava fechado. Até este dia, os controladores da JBS já tinham vendido cerca de R$ 373,5 milhões em ações. Na manhã seguinte do dia 17 de maio, os papéis da empresa despencaram quase 10%.

O advogado especializado em mercado de capitais, Lionel Zaclis, informou ao jornal O Globo que o crime de insider trading, informação privilegiada está mais do que caracterizado. ¨Eles (Joesley e Wesley Batista) sabiam mais do que ninguém que iam fazer a delação. E sabiam que, a partir no momento que ela se tornasse pública, as ações iam cair vertiginosamente. A situação de insider é clara. Não precisa nem de investigação da CVM¨, afirmou o advogado.

Apesar das evidências, a JBS nega as acusações: “todas operações de compra e venda de ações e títulos realizadas pela J&F, suas subsidiárias e seus controladores seguem as leis que regulamentam tais transações”, informou a empresa. #Economia