O início do século XXI para o #Brasil, em termos de #investimentos do setor privado e de poupança dos setores produtivos, não tem sido favorável.

De acordo com dados publicados pelo Cemec (Centro de Estudos do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), houve uma diminuição no investimento privado e das famílias - ambos importantes para fazer girar e crescer a economia nacional.

Se levarmos em conta a relação com o PIB (Produto Interno Bruto), o ano de 2016 foi marcado pela maior baixa, medida em porcentagem, do total de investimentos: apenas 13,7%. Uma retração a ser observada, já que em 2013 a relação percentual entre investimentos e PIB estava na casa dos 19%.

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Ao invés dos setores produtivos da economia aplicarem o que ganham, por exemplo, em máquinas e insumos, na expansão de novas filiais e no desenvolvimento tecnológico, eles têm preferido manter o foco na redução de suas dívidas e gastos.

Com um pé atrás, o setor privado ainda sente os efeitos da recessão que assola o Brasil há pelo menos dois anos. Além disso, aguarda desconfiadamente os desdobramentos da instabilidade política para tomar uma decisão sólida: permanecer onde se está ou seguir com precaução.

Há uma certa razão para essa prudência: o estudo do Cemec indica que o setor público não tem feito sua parte; isto é, as contas do #Governo desandam e a tendência é de que o problema vire uma bola de neve. Portanto, o próprio Governo estaria na contramão do que o setor privado faz: poupar e economizar.

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Até aí, tudo bem, se não fosse pelo fato de o próprio Governo bater à porta dos empresários e estender seu chapéu para angariar fundos. Afinal, esse dinheiro deveria ajudar na retomada da economia. Porém, não é o que acontece, devido a esse círculo, digamos, viciado.

Então, o que sobra como tábua de salvação é o consumo das famílias, abalado pela falta de crédito e pelo aumento do desemprego generalizado no Brasil. Sendo assim, o consumo não tem atuado como mola propulsora da economia, como se observava há alguns anos.

Uma coisa vai puxando outra e isso afeta as contas governamentais, pois, conforme a estimativa do Cemec, o investimento público foi de apenas 1,8% do PIB em 2016 – o menor registrado desde 2004.

Simultaneamente, o setor privado viu cair seu nível de investimento em 84% entre os anos de 2013 e 2016. A análise conjunta dos níveis de investimentos dos setores público e privado mostra uma preocupação que beira ao alarmismo. É a pior baixa desde o início deste século.

Os autores do estudo salientam o seguinte: para que o país assegure um crescimento da atividade econômica na marca de 3% a 4% por ano, será necessário um investimento da ordem de 20% do PIB.

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Um índice considerado bom, se bem que abaixo de outros países latino-americanos como o México, o Chile, o Peru e a Colômbia, os quais registram suas taxas de investimento em torno de 21% a 25%.

Poupança

O estudo do Cemec prossegue com a análise do quanto se poupa e averiguou que o ano de 2016 teve o nível mais baixo: 13,9% do PIB.

No entanto, é surpreendente que o Governo não tenha feito seu dever de casa, uma vez que chegou ao índice negativo de 6,1% no mês de dezembro de 2016, ilustrando uma falta de controle nas finanças públicas. Novamente, ele caminha no sentido inverso do setor privado e das famílias, os quais fazem poupança, mas não efetuam investimentos no setor produtivo.

Essa tendência à falta de investir não é nova, segundo o estudo do Cemec, e tem se aprofundado ao longo do tempo. Some-se a isso, o “despoupar” do Governo e a presença do desequilíbrio fiscal. Ambas contribuem com o aumento das taxas de juros, desestimulando o investimento e enfraquecendo o financiamento do setor privado.

Segundo o levantamento, a melhor solução consistiria no combate dos gastos descabidos do Governo. Consequentemente, haveria a diminuição das taxas de juros e elevaria o nível de poupança do próprio setor público.

Numa eventual continuidade do cenário atual, os analistas do Cemec projetam um crescimento econômico anual em torno de 1,5% a 2%. A baixa produtividade, a crise política e o ceticismo acerca do futuro da economia podem fazer baixar esse percentual.