Não há previsão do mercado para a taxa básica de juros (Selic) acima do patamar de 10% no ano que vem. Este cenário não ocorre desde 2013, e o Copom aferiu por bem cortar a taxa em 1 ponto percentual, para 9,25% ao ano.

É também previsível que o comportamento de ascensão ou queda da taxa corresponderá ao cenário político. Em ano eleitoral como 2018, ela deve subir um pouco para conter os danos que um período como este pode causar, mas ainda assim, a previsão é de que não chegue a 2 dígitos e se chegar, não passará de 10%.

Tal redução como a do contexto atual, no entanto, será mais sustentável que em 2013 afirma o economista Sílvio Campos Neto, da consultoria Tendências.

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Isso é explicado através do seguinte contexto: o governo enfatiza que quer levar reformas adiante, embora haja um compasso de espera por causa da crise política. A inflação está abaixo da meta, há previsões otimistas de que isto se sustente em 2018, o que diminui o ritmo de desemprego e mobiliza o giro de capital interno.

Campos Neto ressalta que os juros são apenas um dos fatores que auxiliam a retomada econômica, mas não são os únicos. Embora a avaliação de que a Selic caia a 8,5% até o fim de 2017 seja um indício de que tal fato ajude a retomar a economia, ainda há muitas limitações como por exemplo o endividamento das famílias e situação fiscal crítica. Argumenta que, ainda que o texto da reforma da Previdência seja desidratado com relação à proposta original, seu eventual encaminhamento terá impacto importante no segundo semestre.

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Ele ressalta também que se os ajustes não seguirem e o Brasil se mostrar irresponsável, o quadro de que o país continua sendo atraente para investidores, tem um mercado importante e oferece bons retornos pode mudar rápido.

Margarida Gutierrez, economista especialista em macroeconomia brasileira e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) chama a atenção para o fato de que o ##investimento externo continua aquecido, mas tal fato está desvinculado da Selic e olha para longo prazo. Ela acredita que o papel da taxa de juros numa retomada de crescimento é o de estimular a oferta de crédito pessoal. Ainda ressalta que os ##ativos no Brasil estão muito baratos, há muitas fusões e parcerias e não é a Selic que irá mudar isso. A reforma da Previdência, segundo a professora, se acontecer, vai ser desidratada mas é melhor que nada. A demanda da economia continua baixa, com singela recuperação e os empréstimos dão início a uma melhora.

Para o cenário de investimentos, outras possibilidades a longo prazo poderão ser exploradas, já que com a queda da Selic, investidores do Tesouro Direto e CDB têm o seu retorno reduzido.

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A atenção é voltada para os ##Fundos Imobiliários com cotas a partir de 100 reais, e isentos de Imposto de Renda. Com este tipo de investimento, haverá maior giro de capital interno, visto que a dinâmica dele se dá através do ganho de dinheiro com a renda de imóveis. A grande vantagem é que, ao invés de se alugar um imóvel sozinho, compram-se cotas de um fundo de investimento que tem participação em lojas de um shopping ou escritórios de um prédio inteiro, por exemplo. Através deste fundo também é possível investir em universidades, escolas, hotéis, hospitais, entre outros empreendimentos.