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A JBS, maior empresa de proteína animal do mundo, informou ao mercado nesta terça-feira (29) que a sua subsidiária JBS USA, nos Estados Unidos, anunciou a criação de um Conselho Consultivo Independente para apoiar a sua administração em assuntos relacionados à governança corporativa, assuntos regulatórios e governamentais, gerenciamento de riscos e marketing. A subsidiária responde por cerca de 75% do faturamento global da JBS, segundo o comunicado.

O conselho será composto por quatro membros independentes, como John Boehner, ex-líder do Congresso dos Estados Unidos entre janeiro de 2011 a outubro de 2015, atual Consultor Sênior Estratégico no escritório de advocacia e políticas públicas Squire Patton Boggs e membro do Conselho de Administração da Arizona Mining Inc.

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e da Reynolds American Inc; Greg Heckman, atual membro do Conselho de Administração da OCI, com mais de 30 anos de experiência nos setores de agricultura, energia e alimentos norte-americano e ex-CEO do Grupo Gavilon, ex-Diretor de Operações na ConAgra Foods e Presidente e COO da ConAgra Trade Group.

Também farão parte Dimitri Panayotopoulos, atual presidente do Comitê de Remuneração da British American Tobacco Company e ex-Vice-presidente do Conselho da P&G; e Harvey Pitt, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), atual CEO da Consultoria global Kalorama Partners LLC e membro do Conselho Consultivo de Regulamentação e Compliance da Millennium Management LLC.

“A criação do Conselho Consultivo da JBS USA reforça o compromisso da JBS com o crescimento futuro e evolução global da Companhia”, disse Wesley Batista, CEO Global da JBS, na nota ao mercado.

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“Estamos felizes que líderes altamente respeitados nos setores público e privado concordaram em contribuir com o seu conhecimento e capacidade para o sucesso da JBS USA”, conclui.

Escândalos

As medidas vêm após o envolvimento da empresa em esquemas de corrupção, como a Operação Lava Jato, a Operação Carne Fraca - quando se descobriu um esquema de fraude na fiscalização dos frigoríficos para a liberação de proteínas inadequadas ao consumo, gerando fechamento de unidades pela Polícia Federal em março de 2017 - e na Operação Greenfield, que investiga fraudes em fundos de pensão.

A empresa foi processada nos EUA por investidores que buscavam compensações pela perda nos preços dos papeis negociados na Bolsa de Nova York, que perderam cerca de 10% do valor após o anúncio da operação Carne Fraca.Em relação à Lava Jato, executivos do grupo JBS firmaram acordos de colaboração premiada junto ao Ministério Público Federal e forneceram evidências de ilícitos cometidos por entidades políticas que levaram à instabilidade e pedidos de impeachment contra o Governo em maio deste ano.

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O acordo previa o pagamento de multa de R$ 225 milhões.

A mais emblemática evidência foi o áudio gravado por Joesley Batista em uma conversa com o presidente Michel Temer, na qual Joesley comenta o pagamento mensal de propina ao procurador Ângelo Goulart para vazamento de informações que beneficiassem a empresa no âmbito da operação Greenfield, além de suposto pagamento de valores para compra o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha e outras declarações que geraram polêmica.

Além disso, a operação montada pela polícia, que conseguiu filmar o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (ex-assessor de Temer) saindo de um restaurante com R$ 500 mil em uma mala que seriam destinados ao presidente, foi outro combustível para o incêndio já iniciado em outras etapas da Lava Jato envolvendo políticos.

Com a imagem prejudicada no mercado e elevadas dívidas, a empresa colocou à venda diversos ativos na tentativa de obter R$ 15 bilhões para diminuir o endividamento. Em julho, a empresa conseguiu vender sua operação de confinamento no Canadá por US$ 50 milhões, e em agosto, vendeu sua participação de quase 20% na Vigor para o grupo mexicano Lala, por R$ 1,112 bilhão. #lavajato #Empresas #Friboi