Pouco utilizada no Brasil, os conhecidos ‘’fundos abutres’’ podem ser a solução para algumas empresas que não conseguem cumprir com suas obrigações. Alguns investidores, sabendo do risco que correm investindo nestes fundos, buscam companhias ou empresas com títulos de dívidas e compram, para depois reorganizar as empresas e poderem vender os títulos com valores muito maiores do que foram comprados.

No Brasil, são poucos os fundos especializados nestas questões, por alguns motivos. Quando se tem uma dívida é necessário saber onde está o fundo do poço, e para algumas empresas o fundo não está visível, sendo difícil a mensuração e posteriormente a compra do título, "No Brasil, algumas empresas são familiares, o que torna complicado saber o histórico da empresa, já que os dados não são abertos, não são públicos, dificultando saber se aquilo mostrado é exato", comenta o Benjamin Yung, especialista em reestruturação financeira.

Publicidade
Publicidade

Para ele, outro problema está na lei promulgada em 2005 de Recuperação Judicial e Falência.

"Houve muitos pedidos de recuperação das empresas que estavam em dificuldade, mas não há registro de empresas que conseguiram realmente se recuperar, tornando o investimento ainda mais de risco para a pessoa que se interessa em aplicar o capital na empresa", comenta Yung. O especialista analisa o prazo de 60 dias, que em alguns casos, depois de ocorrer o pedido de falência e o deferimento para recuperação da empresa, não é cumprido, tornando ainda mais complicado para o investidor.

Lei americana

No Estados Unidos, a lei de recuperação de falência existe e há certos pontos diferentes do que ocorrem no Brasil. Se o investidor tiver o interesse em participar ativamente da empresa, transferindo a dívida para ações da empresa, é necessário que o credor e também os acionistas aprovem, caso que não acontece no Brasil.

Publicidade

"No EUA, não existe a permissão dos acionistas, isso é comum aqui no Brasil e as negociações fazem com que diminuam a participação dos acionistas, chegando até em eliminar seus ‘poderes’ dentro das empresas", diz Yung.

O especialista comenta sobre uma tradicional atitude que ocorre nas companhias. Com o não cumprimento das obrigações, as empresas acabam não pagando os tributos, e isso nisso prejudicando uma possível ajuda dos investidores. "As taxas quando não são pagas crescem de forma rápida e nisso a empresa acaba entrando em leilão para pagar os impostos, sejam trabalhistas ou fiscais. Além disso, os preços das vendas são bem menores do que realmente valem", analisa.

Argentina

Alguns países como a Argentina já teve a atuação destes investidores comprando títulos de dívidas. Em 2008, investidores estrangeiros entraram na Justiça não aceitando a renegociação que foi feita do governo argentino. Investidores, estes especialistas nesta área, que já tinham feito negócio semelhante na América Latina e África. #Argentina #Abutre #Finança