Na última semana vários alunos do estado de São Paulo uniram-se no vão do MASP  (Museu de Arte de São Paulo) para um manifesto contra a medida do governador Geraldo Alckimin em dividir as escolas em ciclos e fechar outras. Após uma das maiores greves de professores no Estado onde as exigências não forma aceitas e os professores punidos indiretamente e desunidos, chegou a hora dos próprios alunos e pais compraram esta briga.

O estado de São Paulo alvoroçou-se nas últimas semanas com a sequência de informações, mudanças e afrontas dos governantes contra a #Educação.  A constituição federal  na seção I , Art. 206 garante igualdade de condições para aceso e permanência na #Escola; liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, já no Art. 208 – VI , é dever do Estado ofertar o ensino regular noturno,  adequado as condições do educando.

O governador do Estado, Geraldo Alckmim, junto ao secretário da educação Herman Voorwald decretaram a mudança de ciclo nas instituições de ensino que passarão a ser divididas entre ensino de ciclo I, II e médio, dificultando justamente, o acesso e a permanência nas escolas, pois as famílias que dependem dos irmãos mais velhos para acompanhar os pequenos à escola enquanto os pais trabalham não terão mais este acesso, impactando diretamente na dinâmica familiar. Em caso de remanejamento é estipulado pelo governo uma distância máxima de 1,5km, porém  há regiões que a distância chega a 3,5km. Muitas escolas já foram informadas que fecharão para 2016 a lista divulgada pela APEOESP (Sindicato dos professores do Estado de São Paulo) conta com aproximadamente 155 escolas.

Após uma das maiores greves dos professores do estado que durou três meses e quando a justiça foi favorável ao governo e decidiu pelo desconto salarial dos professores além de não aceitar as propostas de negociação, desta vez foram os alunos e pais que tomaram as ruas e as diretorias de ensino exigindo explicações e tentando reverter tanto o fechamento de escolas, quanto o remanejamento e a mudança de ciclo, pois a mesma  não tem base pedagógica e sim, apenas estrutural física dos prédios escolares.

No dia 09 de outubro, alunos reuniram-se na Av. Paulista em ato organizado pelas redes sociais e integrantes de diversas escolas estaduais marcharam em protesto contra o decreto de reestruturação, foram relatados atos de agressão e confusão e abusos durante o protesto por policiais, assim como a presença de outros grupos infiltrados aos alunos.

Vale lembrar que estes alunos fazem parte dos ciclos II e ensino médio com de idade entre 13 e 18 anos. O manifesto, reações e a visão dos alunos por um conhecimento prático de democracia que sai dos livros didáticos e debates em salas de aula vem de encontro a chamada “PL da Mordaça” Projeto de Lei 01/2015, de autoria da deputada Sandra Faraj, que tramita na Câmara Legislativa, onde refere-se ao educadores como nocivos e manipuladores, cabendo aos professores:  não abusar da inexperiência dos alunos com objetivo de cooptá-los a correntes político-partidária, não incitará os alunos a participarem de manifestos, passeatas ou atos públicos, o professor deve abster-se de tratar de assuntos de conflitos sejam morais, ideológicos ou religiosos.

Parece claro um retrocesso para uma democracia de interesses unilaterais. Na última semana foi visto um ato não de profissionais, cidadãos, grupos de categorias diversas, mas de jovens que demonstraram estar conscientes e atentos o rumo que querem para suas vidas, sabem seus direitos e não estão dispostos a ficarem de braços cruzados atrás de carteiras obedecendo ordens ditadas para seus próprios futuros. #Direto