Neste domingo, 25 de outubro, 5,7 milhões de estudantes tiveram seus conhecimentos testados pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) em todo o Brasil. O exame é uma porta fundamental para que o aluno do ensino médio consiga ingressar no sistema de ensino superior.

As provas do segundo dia contemplaram o conjunto “Linguagens, códigos e suas tecnologias, matemática e redação”. Esta última é sempre temida todos os anos, seja por oferecer a maior quantidade de pontos possível no exame (1.000), seja pela surpresa a cada vez que o seu tema é revelado na hora “H”. Porém, este ano a surpresa foi boa, pelo menos para a maioria dos participantes.

Com o tema “A persistência da #Violência contra a mulher na sociedade brasileira”, a redação do Enem 2015 trouxe uma reflexão sobre os casos de agressão e assassinatos que as mulheres sofrem diariamente de seus companheiros do sexo masculino.

No encarte que acompanha a folha de escrita do texto, várias informações de apoio ao estudante traziam números alarmantes: mais de 330 mil processos foram abertos com base na Lei Maria da Penha, de setembro de 2006 à março de 2011. Mais de 9.700 prisões foram feitas em flagrante, e mais de 1.500 prisões preventivas foram decretadas.

O Ligue 180, voltado para receber denúncias de agressões contra as mulheres – seja ela física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial – recebeu mais de 230 mil telefonemas com relatos de violência, a maioria (70% dos chamados) de mulheres que disseram ter sido agredidas pelos parceiros.

A ativista cearense Maria da Penha Maia Fernandes, 70, cujo nome ficou conhecido por todos os brasileiros por meio da Lei Maria da Penha, ficou sabendo do assunto abordado na redação do ENEM por meio de uma estudante pernambucana, e comemorou:

“Fiquei feliz, o tema realmente está na boca do povo agora. Plantou uma semente [...] a lei está sendo comentada e conhecida na vivência de cada um e também na escola, porque despertou nas pessoas a necessidade realmente de conhecer o funcionamento da lei, e de entender mais profundamente a situação [...] foram muito felizes os tópicos, deu um direcionamento no que o aluno pode escrever, e realmente o poder público precisa estar mais presente para que a lei funcione com mais rapidez e as mulheres possam evitar o assassinato de mulheres”, disse Maria da Pena em entrevista ao G1.

Maria da Penha passou a se engajar na luta em acabar com a violência contra a mulher depois de ter ficado paraplégica após levar um tiro do seu ex-companheiro, que chegou a ser autuado pela Polícia, mas hoje está em liberdade depois de ter cumprido parte da punição.

A Lei do Feminicídio, sancionada em março de 2015 pela presidente Dilma Rousseff, também foi lembrada nos textos de apoio à redação. Aliás, para a professora de redação Poliana Wink, a aprovação da Lei deve ter sido o ponto motivador para a abordagem do assunto nas provas deste ano. “Com a aprovação da nova lei, em março, seria possível esperar algum tema relacionado. Por isso, já havíamos trabalhado o assunto com alunos em sala de aula no decorrer do ano”, conta Poliana.

O Feminicídio é caracterizado quando uma pessoa do gênero feminino é assassinada somente pelo fato de ser mulher, seja algo friamente calculado e cruel, ou cometidos pelos maridos das vítimas dentro de casa, ou por atitude de discriminação de gênero. A punição pode ainda ser aumentada se a vítima for assassinada enquanto estiver grávida, for menor de 14 anos, maior de 60 anos, ou possuir algum tipo de deficiência. Nesses casos, a pena é aumentada em um terço do tempo originalmente estabelecido. #Educação #Blasting News Brasil