Com o objetivo de estancar a queda de 1,3% da população com idade escolar em São Paulo, apontado em levantamento realizado pelo pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), a Secretaria de #Educação do Estado anunciou no final do mês de setembro uma profunda reformulação na rede de ensino estadual. Já a partir de 2016, terá início um processo de separação de escolas para que cada unidade ofereça somente um dos ciclos de aprendizagem - ensino fundamental I, II e ensino médio - e não os três juntos.

As medidas, que têm como meta apresentar um formato de ensino voltado à idade do aluno, desagradaram os estudantes, que, nesta semana, intensificam seus protestos contra a reestruturação educacional da rede pública. Por volta das 19h desta terça-feira (10), alunos que se reuniam na Escola Estadual Fernão Dias Paes, na Zona Oeste, decidiram manter a ocupação da unidade durante a noite e estão prometendo novo ato para a manhã desta quarta.

Policiais militares cercaram a escola assim que a #Manifestação ganhou força e algumas discussões foram observadas ao longo do dia. Os ânimos se exaltaram quando os policiais tentaram levar para a delegacia duas jovens alunas que se retiraram por parte da tarde. Como resposta, ouviram do grande grupo: "São alunas, não bandidas". Cassetetes chegaram a ser utilizados.

Curiosamente, a escola Fernão Dias Paes não está entre as instituições de ensino que serão fechadas pelo Governo do Estado no ano que vem. No entanto, ela passará a apresentar apenas um nível de educação, que será o médio, perdendo o ensino fundamental (correspondente do 6° ao 9° ano). De acordo com a reorganização escolar planejada pela Secretaria de Educação, os alunos do nível fundamental serão recolocados em uma nova escola.

Segundo as alegações feitas pelos manifestantes presentes, o grande temor é que haja uma superlotação nas salas de aula com o remanejamento de alunos. Eles também temem que alunos que morem distante da escola, como em outros bairros, por exemplo, possam ser retirados.

Polícia se posiciona sobre o protesto

Assim que tomou conhecimento da manifestação dos estudantes junto à escola Fernão Dias Paes, os policiais militares de São Paulo se mobilizaram para controlar a situação e evitar maiores problemas com os alunos. Logo pela manhã, a PM cercou a escola e relatou que nem mesmo os funcionários da unidade estavam tendo a entrada permitida.

Dois representantes da Defensoria Pública também estiveram presentes no local para tentar dar um equilíbrio ao ato dos alunos, "garantindo o direito da manifestação para que tudo venha a ocorrer de forma pacífica".

De acordo com um porta-voz do grupo que encabeça o protesto, os manifestantes planejam um novo ato público nas dependências da escola na manhã desta quarta-feira, por volta das 6h30. Mesmo ciente dessa organização, a PM ainda não cogita invadir a unidade e retirar os protestantes.

"Vão dormir no colégio e vão aprendendo, pois é assim que funciona a democracia", salientou Walter Foster, ouvidor da Polícia Militar.