Dez da manhã, e Mateus não desgruda da internet. É dia de prova, e sua mãe já não sabe o que fazer. A despeito de todas as suas tentativas, nada parece mais interessante para ele do que o ciberespaço. "Mas a #Escola é o futuro, é o que vai fazer a diferença na vida dele", diz a mãe. Será?

Governos, profissionais da área e até mesmo quem tem filhos estudando, já perceberam que é cada vez maior o abismo entre o pretenso "mundo interessante e cheio de descobertas", que a escola promete mostrar aos alunos, e aquilo que eles, de fato, encontram do lado de fora dos portões escolares.

Numa visão bem direta, é até possível afirmar que a escola vem ficando cada vez mais "chata", se comparada ao que há de mais interessante para fazer: ver filmes, divertir-se com jogos eletrônicos, contatar os amigos a qualquer hora e em qualquer lugar, etc.

O que fazer para tornar o aprendizado mais interessante? A resposta é mais básica do que se imagina.

Basta refletir: o que faz um jovem ficar horas diante de um jogo? O que o faz querer resolver o dilema do colega que o distrai há horas pelo bate-papo? Qual é a força motriz de uma garota que fica diante de um vídeo repetindo os mesmos passos de dança até se cansar?

Nada menos que o desafio e o prazer de atingir o objetivo.

Não há como negar que, apesar dos esforços e de algumas iniciativas, a educação no Brasil, de modo geral, não sabe conquistar os jovens. É muito mais frequente encontrar práticas com base no "Faça, senão...". Isso nunca poderá ser interessante. De que modo o país chegou a esse ponto é questão que rende páginas, assim como de que maneira sair dele.

Apresentar soluções eficazes para todos é tarefa impossível, mas começar por si já é um grande passo. Então, como tornar um jovem mais motivado para os estudos?

Conhecer é um processo tão desafiador quanto passar pelas fases de um jogo. A partir do momento em que um pai ou um professor conseguir fazer o jovem compreender que ele estuda não para obter notas e livrar-se da obrigação, mas sim, porque é algo prazeroso e desafiante, que vai instigá-lo cada vez mais, os resultados virão muito mais rapidamente, e de uma maneira fluído. Trata-se de um trabalho de equipe.

Para tornar uma atividade convidativa, é essencial respeitar o ritmo individual, não atropelar etapas e sempre apresentá-la como algo bom e divertido. Confesse: se fosse você estivesse no lugar daquele(a) jovem e a aula estivesse chata, você também iria querer jogar futebol ou papear com suas amigas.

Então, se você for pai ou mãe, docente ou tiver um jovem sob sua responsabilidade, pense nisso: tudo pode ser feito de maneira divertida. Se o contato com o conhecimento ocorrer de modo prazeroso, o estudante aprenderá que vale a pena persistir, mesmo diante das eventuais dificuldades, e as chances de isso acontecer na prática serão muito maiores.

Trata-se de criar uma cultura de paixão pelo conhecimento, algo muito mais importante do que completar ciclos de formação, mas não se lembrar de nada. #Opinião #Dicas