Nos dias 24 e 25 de novembro foram realizadas em todo o país as avaliações do ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio. O exame foi criado em 1998, e vem sendo realizado desde 2009 como verificação de conclusão do ensino médio e mecanismo de seleção de ingresso para o ensino superior.

A avaliação consiste em verificar habilidades e competências de disciplinas de quatro áreas através de 180 questões objetivas e uma redação. A avaliação além de ser a principal forma de ingresso em muitas universidades públicas, e a porta de entrada para o SISU, que beneficia alunos cotistas, como afro-descendentes, indígenas e alunos advindos de escolas públicas, PROUNI, que beneficia alunos de baixa renda com 50% e 100% de bolsas em #universidade particulares, além de ser requisito necessário para solicitação de financiamento estudantil, o FIES.

Ao contrário de seu objetivo inicial, de avaliar o nível do ensino médio em escolas públicas e particulares e, desta forma, melhorar sua qualidade, o que se vê são escolas particulares e cursinhos trabalhando incansavelmente com treinamentos baseados no modelo da prova, aumentando dessa forma sua propaganda com ingresso de alunos com melhor nível sócio-econômico em universidades mais disputadas e tornando impossível a verificação da qualidade de ensino e deixando óbvio que acesso à educação não é tão democrático quanto quer aparentar ser.

Enquanto isso, alunos de escolas públicas ficam em clara desvantagem, muito mais numerosos que os da rede privada, sabem das dificuldades que irão encontrar, se não deixam os estudos, pagam uma faculdade particular; os mais dispostos e conscientes da transformação por meio da educação, tentam se preparar em salas superlotadas, alta rotatividade de professores, greves e baixa qualidade de ensino, em direção contrária à propaganda do governo de dar acesso igualitário para todos.

Os alunos da rede pública, muitas vezes, quando conseguem aprovação nas universidades públicas, se conformam em cursar uma graduação fora de seu objetivo, pois as vagas mais disputadas serão ocupadas por alunos “mais bem preparados”. O ENEM, então, se tornou um grande vestibular, que, ao invés de verificar a qualidade de ensino e melhorá-la, aumenta cada vez mais o grande abismo que separa ricos e pobres, e reforça, por sua vez, a elitização do ensino superior público. #Opinião #Blasting News Brasil