O #Governo de São Paulo anunciou, no final de setembro, uma reorganização do ciclo escolar, ou seja, a separação das escolas por ciclos: o ensino fundamental I, II e o ensino médio.

De acordo com a Secretaria da #Educação do estado, o processo amplia o número de escolas com um único ciclo, o que favorece a gestão das unidades e possibilita a adoção de estratégias pedagógicas focadas na idade e fase de aprendizado dos alunos.

A medida anunciada pegou de surpresa pais, alunos e profissionais da área da educação, especialmente aqueles que serão afetados por essa reorganização. O governo alega que as escolas, que funcionam com um único ciclo, apresentam melhores resultados, no entanto, esta medida de separação por ciclos já foi tomada no final dos anos 90, pelo próprio governador Geraldo Alckmin, sem grandes resultados.  

A medida prevê o fechamento de diversas escolas, dificulta a vida de pais que possuem filhos em ciclos diferentes e aumenta a distância percorrida pelos alunos para a escola. Desde que o projeto foi anunciado, vêm acontecendo diversas manifestações em todo o estado. Com a reorganização, os alunos poderão ser remanejados para escolas de uma distância de até 1,5 km, e, em alguns casos, alunos terão que percorrer até 3,5 km.

O caminho para a escola preocupa muitos pais, pois a verificação de distância, segundo a secretaria, foi realizada por programas de satélite, no entanto, não consideraram questões importantes como: a ausência de calçadas no percurso e locais desertos ou perigosos.

Além de desorganizar a vida familiar com transferências de escolas, a medida afetará também centenas de professores, efetivos e estáveis, que poderão ser transferidos de suas unidades sedes ou, no caso dos contratados, terem seus contratos suspensos. 

A suposta preocupação do governo com a qualidade da educação se contrapõe com a greve mais longa de professores ocorrida este ano no estado de São Paulo - 92 dias - que teve como resultado a suspensão de salários e nenhuma previsão de acordo por reajuste da parte do governo. 

Desde a divulgação da mudança, detalhes estão sendo mantidos em sigilo, e levanta especulações de que essas mudanças estão sendo feitas apenas por necessidades econômicas. 

Enquanto isso, pais, alunos e profissionais da educação terão que aguardar até o dia 14 de novembro, já chamado de "O Dia E", data do megaencontro que acontecerá em todo o estado para explicar como será o processo de reorganização e o futuro das escolas e das pessoas que, involuntariamente, farão parte desse processo marcado pela falta de diálogo. #Crise econômica