Pouca gente sabe que o Brasil tem dois idiomas oficiais. A Língua Portuguesa é a mais conhecida, pois tem sua origem no descobrimento e é a que tem disciplinas na escolaridade do nível infantil ao superior. Apesar de sofrer mudanças de tempos em tempo, o Português é considerado difícil e tem sido muito adulterado com o crescente uso do internetês (onde a palavra “não” é escrita como “naum”, por exemplo).

LIBRAS por decreto

A segunda língua, LIBRAS, foi oficializada pelo Decreto Lei No. 10.436, de 24 de abril de 2002, onde reconhece como forma de comunicação e expressão, enquanto um sistema lingüístico de transmissão de ideias e fatos. O decreto é um reconhecimento de uma forma de comunicação entre surdos, que permite a sua integração à comunidade ouvinte, inclusive ao sistema educacional comum. A lei ainda determina que o Estado deve prover tradutores de LIBRAS para o Português, em todas as situações de cidadania, que incluem eleições, repartições publicas e escolas.

Formação de profissionais é deficitária

A formação de ouvintes em LIBRAS ainda é precária e uma iniciativa de muitas igrejas. Poucos Estados brasileiros possuem agentes ou professores com fluência nessa língua, o que promove a alienação de alunos com surdez. Tal fato não só promove a dificuldade de aprender o português por ser uma linguagem essencialmente baseada na fonética, como o posicionamento dos docentes e a falta de material didático em LIBRAS agravam o aprendizado. O uso dessa língua poderia ser ampliado para diversas profissões onde o nível de ruído seja muito alto (sinalizadores de estacionamento de aviões). Faltam incentivos para tecnologias que auxiliem o ensino de LIBRAS.

Brasil e França possuem vínculos em língua de sinais

Apesar de a lei ser recente, a Língua de sinais não é nova: teve origem na França, na idade média, e o seu ensino foi trazida ao Brasil pelo Imperador D. Pedro II, seguindo o modelo Francês de ensino de sinais e criando o Instituto para Ensino de Surdos – INES. Por algum tempo, o ensino de sinais foi proibido na França e na Europa, pois os países em processo de unificação tinham medo que a linguagem pudesse ser usada para passar mensagens codificadas para inimigos e um concílio na Itália expurgou o ensino de língua de sinais em todas as escolas europeias. O Brasil também teve seu momento de silêncio, pois com o evento da criação do telefone pelo Bell, a linguagem de sinais poderia ser um elemento de dificuldade de comunicação usando o aparelho.

Surdos são mais produtivos que ouvintes

Os surdos são pessoas altamente produtivas e concentradas, pois não se influenciam pelos barulhos ambientais ou outras pessoas. A riqueza da linguagem é muito evidente quando eles relatam uma história, promovendo um verdadeiro palco em um espaço imaginário à sua frente, onde todos os elementos da história estão presentes e requer um bom uso da memória para acompanhar os fatos. Os surdos podem também aprender a fazer a leitura labial, mas os sinais não se limitam ao fonético e podem representar símbolos ou pensamentos inteiros. Infelizmente a política educacional atual não fortalece os vínculos dessas pessoas especiais com o mundo ouvinte e a ocorrência de acidentes com eles é significativa. #Educação #Governo #Escola