Uma característica da sociedade humana é aprender por exemplos, que podem ser bons ou nocivos para os conceitos pregados pela mesma sociedade. Quando a sociedade não cumpre as promessas feitas, a apatia pelo #Governo aumenta, assim como o nível de corrupção. O Brasil não é muito diferente: o exemplo deveria vir das escolas, mas o que existe é uma ditadura em tamanho menor, com diretores indicados por uma força política externa.

Como um diretor é escolhido?

Não existe concurso para o cargo de diretor nas escolas públicas. Os diretores são indicados pelas delegacias de ensino e servem para manter um regime autoritário, típico de ditaduras. A realidade não é passada desapercebida por professores e nem pelos alunos. Os primeiros não se interessam mais pela profissão, mesmo que exista algum bônus de produtividade, como no Estado de São Paulo. Os segundos sabem que não importa o que produzam, vão cursar o período durante 12 anos e depois sair para a verdadeira vida. Enquanto isso é comum encontrar professores vendendo produtos de estética e fazendo crochê, alunos usando celular em sala ou games nas salas de informática e uma baixa generalizada nas notas.

Sem representatividade não há produção

Todo esse processo tem como uma das causas o fato de que o(a) Diretor(a) não tem representatividade da comunidade (algo parecido com o que está acontecendo com o Congresso Nacional atualmente). Como o cargo principal não é exercido por um membro ativo da comunidade, a referência a ele é sempre pela autoridade conferida à pessoa que está investido do cargo. Por não ter que prestar contas à comunidade, mas ao órgão que o indicou, o diretor pode, em alguns casos não raros, abusar dessa mesma autoridade, reproduzindo um modelo de Estado autoritário, apesar do discurso democrático.

Democracia na escolha de diretores

A saída para esse caso poderia ser copiada do modelo de empresas e escolas americanas, onde um conselho formado de professores, pais, funcionários e alunos elegem candidatos a diretor e esse fica sujeito à aprovação da atuação perante o conselho. O conselho é representativo da comunidade, pois todos os segmentos estão representados nele e podem opinar decisões cruciais para a #Escola, inclusive sobre reformas, merenda, material didático e metas de ensino.

Outro aspecto importante é que o diretor poderia ser um pai/mãe ou até mesmo um funcionário que já vivencia o expediente da escola e convive diretamente com os estudantes. O voto dos alunos é importante para co-optar a responsabilidade de escolher o diretor da escola, pois é um aspecto importante para a disciplina e para o dialogo nas crises.

Economizando nos diretores para não fechar escolas

Outro aspecto muito relevante é o econômico: como o diretor escolhido não teria que exercer as funções tradicionais durante o mandato, não haveria necessidade de ter um pagamento extra pelo exercício do oficio. Ao terminar o mandato, outro seria eleito e assim todos poderiam exercer a atividade de direção, com apoio de um conselho que poderia ajudar na função tecnicamente. Só a economia no salário de diretor já justificaria a criação de turma extra na escola, que poderia ser de mecânica de automóveis, cozinha industrial ou relações comerciais.

O país precisa de novas soluções para problemas antigos e essa alternativa ainda não foi tentada por causa de nossas antiga mentalidade aristocrática, onde a direção é um titulo de nobreza. #Educação