O Brasil possui quase 10 milhões de pessoas com deficiência auditiva segundo o censo do IBGE de 2010. A OMS já faz uma estimativa mais pessimista de 28 milhões, o que representa quase 15% da população. Uma das iniciativas para a inclusão dessa população é pela via tecnológica, como no implante coclear ou equipamentos de amplificação sonora. Para essas pessoas, o acompanhamento técnico especializado no ensino se dá pela leitura labial e re-#Educação de fala e escuta. A leitura labial, também pode ser ensinada sem o uso de tecnologia. Entretanto, desde 2002, com o advento do Decreto Lei 10.436, de 24 de abril e do decreto 5.626, de dezembro de 2005, que regulamenta o uso da LIBRAS como alternativa de idioma para surdos, houve um grande corrida para o ensino nas escolas e instituições.

Faltam materiais com LIBRAS fluente.

Passados 13 anos, o que se pode constatar é que poucos professores do ensino fundamental e médio sabem LIBRAS fluentemente, quando sabem alguma coisa, apesar da obrigatoriedade. As bibliotecas das escolas também não dispõem de livros em LIBRAS. Aparentemente, é considerada LIBRAS o ensino de uma linguagem taxonômica, onde são ensinadas palavras e seus significados, seus equivalentes em português escrito, LIBRAS e LIBRAS impresso, como no Dicionário Trilingue de LIBRAS, considerada a obra mais completa no assunto no Brasil. Os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) não explicitam como os professores devem introduzir os conteúdos didáticos para os surdos.

Empregos não assistencialistas para surdos.

Não bastasse a falta de material, o que inclui filmes e equipamentos, os conteúdos didáticos são de qualidade e conteúdos inferiores do que o exigido para os ouvintes, como se o ensino para eles fosse menos importante. Esse posicionamento é enfatizado com as oportunidades de emprego, onde a surdez é vista com estranheza e poucos anúncios são publicados. Outro aspecto importante é a apresentação dos materiais na internet que possuem textos em Português, pressupondo que o aluno tem acesso a esse idioma em primeira instância, ou que esteja acompanhado de um leitor, inviabilizando a sua independência, que é a característica fundamental da inclusão.

Vestibular ainda é uma barreira.

Não bastassem essas dificuldades, fica praticamente impossível fazer um vestibular ou provas do ENEM, mesmo com o uso de interprete através de uso da justiça, pois ou eles não fazem a tradução completa, ou não sabem as nuances das alternativas nas provas. Mesmo passando no vestibular, o aluno terá problemas de encontrar interpretes de LIBRAS para disciplinas especializadas na profissão desejada. Assim, praticamente aprender Português como segundo idioma é a única opção ao surdo, que sempre encontra dificuldades no uso correto de artigos e de tópicos, figura de linguagem onde o objeto principal é colocado no início da frase.

Reconhecimento da cidadania.

São ainda poucos os programas de TV com LIBRAS no PIP (Picture-in-picture), poucos quadrinhos, filmes e animações usando LIBRAS. Os surdos são excelentes programadores de computador, bons artistas e atletas. A capacidade de concentração é muito alta e a atenção visual é muito aguçada. Ainda falta muito para o país reconhecer a cidadania desses brasileiros e deixá-los competir no mercado de trabalho em condições de igualdade.  #Governo #Escola