Tecnologia para ouvintes falarem com surdos

Já imaginou se alguém fosse explicar como funciona o Português, através de palavras soltas, ou apenas soletrando? Como explicar para uma pessoa que desconhece essa língua o que é amar? Como explicar uma dor, um sentimento ou idéia com os dedos digitando letra por letra um nome e uma definição. Aparentemente, a maioria das tentativas de ensino de LIBRAS são muito elementares e utilizam uma lógica de ensino do Português, o que não facilita para o aprendizado do surdo, mas pode ser mais bem aplicado a pessoas ouvintes com excelentes habilidades de uso da mão para conversar com surdos já habilitados e fluentes em LIBRAS.

Os cursos precisam de mais elementos

Não bastasse o nível elementar das aulas e cursos de LIBRAS, onde boa parte dos nomes é digitada em Português, a maior parte pára o conteúdo no meio, deixa lacunas importantes. Como se o aluno tivesse outra fonte de conhecimento que completasse as lacunas. Afinal, como sair de uma equação linear do tipo y=x+2, em matemática, para uma equação genérica do tipo y=k.ex ou outra qualquer. Como fazer os exercícios em LIBRAS. Na aula de Português, as pessoas conversam e trocam idéias, pedem exemplos e fazem brincadeiras no meio da conversa, o que permite um amplo conhecimento do assunto. Nas aulas de LIBRAS, as faces dos professores não parecem refletir o que efetivamente estão transmitindo, não fazem piadas em LIBRAS no meio e nem permitem uma interação maior com o aluno.

Um surdo ensina outro surdo

O uso de surdos para complementar a informação é muitas vezes utilizada, pois só um surdo conhece realmente como criar símbolos novos na sua língua mãe. Essa técnica é semelhante ao da mãe (ou pai) que ensina os primeiros símbolos aos seus filhos. Os símbolos devem fazer sentido e serem usados de forma coerente com a estrutura da língua. O problema está em que a língua Portuguesa é baseada na fonética (sons) e as representações gráficas das palavras são símbolos do fonema. Já a LIBRAS é uma linguagem baseada em representação visual, com símbolos temporais que são expressos pelos movimentos das mãos, expressões faciais, movimento do corpo, uma expressão em 3D.

Poliglota não reconhecido: o surdo

O trabalho do surdo que ensina nesse ponto é muito semelhante ao de um professor qualquer, subvalorizado e usado em promiscuidade, pois ele é muito pouco reconhecido como poliglota e é pago com valores que não permitem o próprio sustento, ou criar a sua família, em um ambiente “alienígena”. A grande dificuldade nesse ponto é o fato que surdos não são formados por herança, muitos nascem por causa de doenças, vírus e outras razões. Em outras palavras, um surdo se reconhece como surdo em outro surdo que não necessariamente nos seus pais. Essa desagregação gera a um problema econômico em larga escala no nível de #Governo que é cumprir a legislação sobre LIBRAS, devido à esparsidade da ocorrência dos nascimentos de surdos, dificultando a economia de escala na #Educação deles. Assim, boa parte do esforço de ensino de LIBRAS é para ouvintes que precisam se comunicar com alguns surdos, visando a sua educação e cidadania. #Escola