O ensino no Brasil atravessa o início do século 21 com características do passado. Dados do último Censo Escolar finalizado pelo MEC (Ministério da #Educação), referentes a 2014, mostram que a internet está presente em 53% das escolas públicas, somente 3 pontos percentuais acima da edição anterior desta pesquisa. 

O Censo Escolar revela que menos da metade das unidades de ensino bancadas diretamente com recursos do contribuinte contam com banda larga, 63.698 (43%) de um total de 149.098 escolas, conforme dados tabulados pela plataforma QEdu, da Fundação Lemann. 

Os números do Censo Escolar mostram um abismo entre o modelo público e o privado - neste último, 80% das instituições contam com internet rápida. E pior: quando o recorte leva em conta a zona rural, apenas 8% das públicas têm banda larga. 

Lançado em novembro do ano passado, um estudo do ITS (Instituto de Tecnologia e Sociedade), com sede no Rio de Janeiro, ressalta que ainda falta muito para o Brasil superar lacunas no acesso à internet rápida nas escolas. O levantamento da entidade tem como referência o Programa Banda Larga nas Escolas, que foi implementado pela União, em 2008, com o objetivo de conectar todas as escolas públicas urbanas brasileiras até 2010.

“Mais de cinco mil escolas seguem sem acesso à internet, em função da ausência de infraestrutura das operadoras prestadoras do serviço”, informou o ITS. Para o instituto, a manutenção da defasagem das velocidades viola os parâmetros de qualidade estabelecidos para que as escolas usufruam dos benefícios dos avanços tecnológicos. 

Por sua vez, o MEC informa, em seu site institucional, que como as operadoras ainda estão implantando a infraestrutura física necessária para o funcionamento da rede em algumas regiões do País, o cronograma de instalação precisa seguir o mapa de ampliação da estrutura de rede das empresas de telefonia fixa.

Já o ITS rebate dizendo que as “dificuldades técnicas” alegadas não poderiam ter perdurado por oito anos e por cinco anos após o prazo final da universalização de internet às escolas. “É necessário buscar que o número de escolas urbanas ainda desconectadas não supere uma centena até o final do primeiro semestre de 2016", declarou o instituto. 

CELULAR PROIBIDO 

Os investimentos feitos nos últimos anos pelos governos ainda não foram suficientes para dotar as escolas de infraestrutura de base em prol ao uso de tecnologia. Ainda assim, nem mesmo os equipamentos de acesso à internet portáteis, como os celulares, são bem-vistos em muitas localidades. 

No Brasil, diversos Estados proíbem o uso de celulares em escolas. O pioneiro foi São Paulo, onde norma do gênero passou a valer em 2008. Desde então, a rede estadual de ensino restringe o uso destes equipamentos pelos alunos durante o horário das aulas. 

O autor do projeto de lei paulista, deputado estadual Orlando Morano (PSDB), argumenta que o acesso fácil ao #Celular faz com o que aluno tenha mais chance de distração, o que pode levar a notas mais baixas. Ele também diz que adolescentes ainda não têm maturidade para usar o aparelho nos momentos apropriados. 

“Em ambientes liberados, é muito difícil para o professor monitorar a sala toda; a distração do smartphone é muito pior do que desenhar no caderno, por exemplo, porque o aluno entra em um universo paralelo”, afirmou Morano, em artigo assinado por ele no ano passado, divulgado pela Assembleia Legislativa. 

OPORTUNIDADE PERDIDA

Entidades internacionais pensam diferente, e sugerem que há atrasos quando os governos não estimulam e tentam afastar as tecnologias móveis da sala de aula. A Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura) lembra que o recurso é usado em todo mundo para facilitar a aprendizagem de maneira inovadora. 

“Apesar da sua onipresença e dos tipos especiais de aprendizagem que elas podem apoiar, com frequência essas tecnologias são proibidas ou ignoradas nos sistemas formais de educação. Isso representa uma oportunidade perdida”, lamenta a Unesco. #Escola