Em época de voltas às aulas, algo inusitado está acontecendo nas redes municipais de ensino. Centenas de escolas têm substituído os livros didáticos distribuídos pelo #Governo federal por livros usados na rede privada de ensino. A iniciativa já conta com, só no Estado de São Paulo, 645 cidades.

O investimento, segundo o Secretário de #Educação do município de Barretos, Aparecido Donizete Cipriano, é uma forma eficaz de melhorar a qualidade do ensino nas escolas municipais: “É um comprometimento alto do orçamento, mas avaliamos que é um valor pequeno se pensarmos que os alunos da #Escola pública terão acesso ao material que as melhores escolas particulares de Barretos usam. Isso dá motivação para o aluno”. O município investe R$ 2,4 milhões por ano em materiais didáticos distribuídos pelo Sistema Anglo de Ensino.

Adaptação

Devido ao aumento do número de municípios que adotaram esta medida e à boa receptividade da população, as escolas particulares têm apostado em modelos de ensino mais flexíveis e dinâmicos, como é no caso do Colégio Bandeirantes, que permite aos professores criar materiais extras no ambiente virtual, a fim de dar autonomia ao profissional sobre o conteúdo em sala de aula.

Outra instituição que inovou no processo de ensino é o Colégio Dante Alighieri. O uso de materiais didáticos se dá apenas no último ano do Ensino Médio, com o propósito de dar liberdade à classe docente da instituição para criar conteúdo mais dinâmico e atualizado nas séries restantes, como disse a diretora do colégio, Silvana Leporace: “Como é um período de revisão, esse material facilita a organização do aluno. Mas, para as demais séries, não vemos como vantagem, uma vez que é melhor o professor ter liberdade para customizar sua aula para cada série”.

Desperdício

Para Salomão Ximenes, coordenador do curso de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC, o investimento das prefeituras é um “desperdício”, visto que nem todas as escolas públicas que adotaram materiais de instituições particulares cancelaram a participação no Programa Nacional de Livros Didáticos: “O que acontece é um baita desperdício de recurso público, porque o município paga por um material que ele já recebia do governo federal sem nenhum custo ou então ele recebe duas vezes o mesmo material, que é pago duas vezes pelo erário”.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, o Secretário de Educação do município de Jaguariúna, José Roberto Chiavegato, considera o investimento um “engodo”: “[A troca de materiais didáticos públicos por particulares] Compromete 4% do nosso orçamento, com um material que tira a autonomia do professor. Estamos em uma saia-justa, porque fizeram a população acreditar que com esse material teríamos um ensino público igual ao privado”. Para Chiavegato, este empreendimento impede a criação de 200 vagas na educação.