Antes de soletrar entender o símbolo

O processo de alfabetização de pessoas portadoras de deficiência e surdez requer atenção especial do professor que muitas vezes não tem como fazer o acompanhamento individual de cada aluno, principalmente com o número crescente de alunos por turma e a falsa inclusão. Nesta situação o uso de programas de computador educativos, com possibilidade de registro do andamento da aula para apreciação do professor a posteriori, pode ser de grande ajuda no planejamento do projeto pedagógico. Estudos acadêmicos mostram que vários softwares têm sido desenvolvidos para ensino via uma abordagem experimental de análise do comportamento.

MTSLab, um modelo de software experimental que agora invade as escolas americanas

O MTSLab, um programa para preparar e executar tarefas de matching-to-sample, foi desenvolvido para utilizar estímulos dinâmicos, como filmes e sons, em ambiente Windows 98, mas funciona com Windows 7 e 8, com registros das respostas e dos tempos dos eventos da sessão. Naquela época o programa foi utilizado em salas de aula multiseriada da APAE, visando estudar o comportamento dos alunos frente ao desafio de usar tecnologia quando a maioria das pessoas ainda não cogitava o uso de computadores em sala para pessoas com deficiências e surdas. O estudo virou um doutorado do Professor Celso Socorro Oliveira e indicou que alunos com deficiência podiam demonstrar quase o mesmo desempenho de outros, principalmente quando o planejamento das tarefas no programa partia de algo conhecido para ensinar algo novo.

Planejamento e execução de aulas com tecnologia de ensino

A análise de requisitos para a construção do programa indicou a necessidade de ter os dados e resultados transportáveis em arquivos texto, por causa dos equipamentos disponíveis nas escolas e ONGs consultadas, e, também, por utilizar arquivos de “log”, para eventos parciais no caso de uma pane do computador. O programa foi dividido em dois módulos, um gerador de tarefas para cada sessão e um executor de sessões. O gerador de tarefas solicita os estímulos (flimes ou fotos) a serem ensinados e gera um arquivo texto com a programação da execução em outro arquivo, assim o professor pode personalizar a execução. O módulo executor de tarefas registra todos os tempos e escolhas do participante programadas no módulo anterior.

O uso de software para ensinar está expandindo

Apesar de ter sido concebido em 1998, outros softwares utilizando os mesmos conceitos estão sendo largamente disponibilizados no mercado, para ambientes de tablets, iPads e celulares, visando um aumento de repertório de símbolos para que cada criança possa seguir o seu próprio ritmo de aprendizagem e que o professor possa programar conteúdos diferenciados conforme a necessidade individual de cada, mesmo com a diversidade de alunos em uma sala de aula. Outro aspecto importante é o uso de tais programas para o ensino de pessoas com o espectro autista em diversos níveis também.

Falta as escolas públicas se preocuparem com o ensino

Infelizmente tais programas e equipamentos ainda não estão disponibilizados na rede pública estadual e nem municipal, porque o atual estado-da-arte pedagógica não evoluiu e ainda concebe uma sala de informática separada da sala de aula, com pouco tempo de uso e muitas vezes sem controle em relação ao projeto pedagógico do currículo da turma. #Educação #Inovação #Escola