Cada vez mais estudantes universitários estão trancando seus cursos de graduação no Brasil. O número destes, inclusive, já é maior do que o de estudantes que se formam, ou seja, que concluem o curso que ingressou na #universidade. De acordo com dados disponibilizados pelo Ministério da Educação, este fato ocorreu por dois anos consecutivos (em 2012 e 2013) e chegou a sua evidência mais forte no ano de 2014, período no qual correspondem os dados oficias mais recentes.

Segundo o último balanço do MEC, em 2014, 1 milhão de estudantes se graduaram no Brasil em instituições de ensino superior. Em contrapartida, neste mesmo ano pesquisado, 1,2 milhão de universitários trancou suas matrículas no país. O balanço conta tanto alunos de instituições privadas, como também alunos de instituições publicas, assim como alunos de graduação em regime EAD (ensino à distância), como regime presencial (tradicional).

A pedagoga Ângela Maria Barros avalia as causas para esta evidência feita pelo Ministério da Educação.

“A partir de 2014 acredito que o número de trancamentos aumentou devido a #Crise econômica que se instalou no país. Todavia, esse fato já estava em constante crescimento nos últimos anos, como identificou o MEC, e chegou ao seu estopim agora com a crise. Na realidade, antes mesmo de se falar em crise por aqui, já havia uma certa insatisfação por parte dos estudantes com relação ao nível dos cursos, sobretudo, aqueles oferecidos por algumas instituições privadas. Muitos desses cursos são caros, e, na prática, são de baixa qualidade. Quando o aluno identifica isso, ele se abate. E a tendência é abandonar o curso mesmo.”, explica Ângela.

“Além disso, existe também um problema de base educacional. Muitas vezes, o aluno, sobretudo aquele oriundo de escola pública, não teve uma formação básica de qualidade e quando este ingressa em um ensino superior, seja pelas cotas, seja pelos programas de financiamento estudantil que existem no país, tende a passar por muitas dificuldades para acompanhar o conteúdo passado em sala de aula. Sofrem também com a dificuldade de concentração, principalmente com relação à leitura. Tudo isso reflete na decisão do estudante de trancar, ou mesmo abandonar o curso. E isso tem aumentado no país porque, claro, aumentou nos últimos anos o número de acesso ao ensino superior.”, conclui a pedagoga.

Retração de graduações

Ainda de acordo com dados do MEC, o número de graduações em nível superior no Brasil sofreu uma retração de 4% no último balanço feito em 2014. Além disso, o número de trancamentos registrados no país, no período entre 2011 e 2014, teve um crescimento assombroso de 60%.

A estudante universitária Rafaela Menezes de Souza, 23 anos, trancou o curso de publicidade e propaganda em julho de 2015 em uma instituição privada em Salvador e até o momento não retomou os estudos. Rafaela explica os seus motivos.

“Primeiro eu me decepcionei bastante com a área. Antes de ingressar na faculdade eu tinha uma visão um tanto um quanto utópica da profissão. Foi depois do meu primeiro estágio, em uma agência aqui da cidade, que eu me deparei com o que, de fato, me aguardava no futuro, quando formada. Aliada a essa ‘crise’ com relação à área escolhida, veio também a crise econômica no país, e as coisas ficaram ainda mais complicadas para mim. Eu consegui uma bolsa que abate 30% do valor do curso, mas arcava sozinha com a outra parte. Por isso decidi trancar e pensar um pouco sobre se é esta carreira mesmo que quero seguir.”, explica Rafaela. #Crise no Brasil