A manhã de segunda-feira (4) foi de tensão no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) da Ilha do Fundão. Inconformados com a tragédia da noite do último sábado (2), quando Diego Vieira Machado, de 26 anos, estudante de Letras, foi assassinado durante a festa de calouros, vários alunos de outros cursos se juntaram para realizar um protesto. Exibindo cartazes e vestidos de pretos, eles gritavam por maior segurança dentro e nos arredores da instituição.

"Na UFRJ, falta iluminação, falta policiamento, juro que em seis meses eu vi uma ou duas vezes policiamento", revelou, em entrevista ao portal G1, da Globo.com, Amanda Carvalho, de 18 anos, que, nesse semestre, inicia a sua graduação em Engenharia Química.

Ao mesmo site, Jheniffer Oliveira, de 22 anos, colega de sala de Diego, também se queixou da falta de condições de dar tranquilidade aos alunos da UFRJ.

"A iluminação está muito precária. Eu moro aqui e a gente anda sempre com medo. As meninas procuram sempre andar em grupo, avisar quando chegar. Acho que os [ônibus] circulares aqui dentro da UFRJ estão mais rápidos ultimamente, mas depois das 22h demora muito", complementou.

Nascido em Belém, capital do Pará, Diego foi encontrado as margens da Baía de Guanabara, na altura da Faculdade de Biotecnologia, perto do alojamento que dividia com outros estudantes também de fora da cidade do Rio de Janeiro. Praticante de artes marciais, ele teria saído para praticar alguns exercícios de rotina. Baseado em resultados obtidos pela perícia médica, o delegado Fábio Cardoso, responsável por investigar o caso, disse que o corpo apresentava marcas de agressão na cabeça.

Segundo o delegado, não está descartada a possibilidade de um homicídio cometido por ódio, uma vez que Diego Vieira Machado era homossexual assumido e, ultimamente, vinha recebendo cartas e bilhetes ameaçadores à sua vida.

Ainda durante esta semana, os peritos irão refazer o caminho percorrido pelo ex-aluno para obter maiores subsídios. Simultaneamente, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ irá organizar uma série de palestras sobre a #Homofobia. #Educação #Violência