O uso do Big Data na educação é uma oportunidade para aprender mais sobre a realidade terrena. O professor da Universidade de Oxford e co-autor do e-book Learning with Big Data (Aprendendo com Big Data), Viktor Mayer Schönberger, acredita que a sociedade deve desenvolver uma profunda compreensão da natureza probabilística do mundo e não apenas a noção de causa e efeito que tem permeado investigação humana ao longo dos tempos. Schönberger analisa que em um mundo de possibilidades, as Leis da Gravidade de Isaac Newton são suficientes para construir pontes mas não o bastante para criar um sistema de GPS, e neste caso é utilizada a Teoria da Relatividade, de Albert Einstein.

Outro exemplo é sobre as probabilidades de duas pessoas que buscam a sorte jogando uma moeda. As chances não são de 50% porque a pressão exercida por uma pessoa é diferente da outra, e o movimento da moeda também varia. Ele afirma que essa capacidade de obter novas perspectivas sobre o nosso mundo, olhando para quantidades relativamente grandes de dados não é apenas a racionalização do ser humano em um sistema fechado estatístico do algoritmo. “Perder a imaginação e a criatividade é muito entendiante, em um mundo fundamentado apenas em estatísticas sem espaço para o novo, para o imprevisível e para o inesperado que é o que traz as grandes inovações, as reflexões e os avanços da civilização”, afirma Schönberger.

Na escola formal do passado, a leitura e a escrita eram as habilidades mais importantes. Em um mundo orientado por dados, as habilidades de ler e gravar dados, compreender e analisar informações em grande escala são as novas habilidades essenciais, já oferecidas em universidades americanas, chinesas, entre outros países.

É possível concluir, segundo o professor, que o Big Data na educação ocasiona um aumento da pressão e do monitoramento, resultando no crescimento do estresse dos estudantes e na carga de trabalho dos professores, estes dedicados à busca de melhorias na performance da turma, somada ao atendimento de necessidades específicas dos alunos, em uma equação que coloca em confronto a nova individualização e a antiga

uniformização do ensino. O livro de Schönberger compara o ambiente da escola formal com classes divididas pelo acionamento de uma sirene a uma fábrica, com a proibição do uso de celulares, e que tem de equacionar as resistência de professores que temem perder direitos e os próprios empregos. “Os professores têm o desafio essencial de avaliar a performance dos alunos continuamente e de forma sistemática, e não ocasionalmente em testes ou avaliações”, afirma o texto.

Tradicionalmente, quando um professor recomenda a revisão de um conteúdo pelo aluno ou uma nova prova, ele está também trabalhando com probabilidades mas sem uma mensuração que poderia garantir maior probabilidade de acertos. Com o Big Data, a sintonia está mais ajustada.

Risco sobre a privacidade e o uso dos dados

Uma das considerações mais importantes do professor Schönberger sobre o uso do Big Data é que os arquivos de dados sobre os estudantes devem ser armazenados por tempo limitado e com restrições de uso. O acesso a tantos dados poderia destruir um candidato a um emprego, levando em conta apenas os erros e as performances negativas escolares dele.

O professor de Oxford avalia que esses registros em alta escala podem ter um impacto desastroso no futuro porque não são informações fundamentadas apenas na crítica de um diretor de escola, ou da avaliação de um ex-professor, são grande escala de análises de performances contínuas e que poderiam instalar uma meritocracia e um novo feudalismo high-tech, puxando estudantes para cima e tirando a oportunidade de outros que não teriam a chance de mostrar o aprimoramento de suas competências e habilidades ao longo do tempo. Schönberger conclui que os medos e preocupações sobre o uso de Big Data só podem ser superados se as salvaguardas jurídicas adequadas forem colocadas em prática para evitar o abuso e o roubo de dados. #BigData #Tecnologia