O programa do governo federal voltado para diminuir as taxas de analfabetismo entre jovens e adultos foi interrompido sem previsão para voltar a funcionar. Apesar de o MEC afirmar que o programa continua em execução, uma vez que turmas previamente cadastradas continuam a ter aulas, a própria pasta, comandada pelo ministro Mendonça Filho, do DEM, relatou, em junho, que não há previsão para reabertura do Sistema Brasil Alfabetizado.

Essa suspensão é mais um dos desfalques para a área de #Educação que vem sendo bastante afetada durante o governo interino. Com altos índices de ineficácia (a taxa de alfabetização está entre 47% e 56% dos alunos) o programa Brasil Alfabetizado precisaria de mais investimentos, maior qualificação dos educadores e da integração com o EJA (Educação de Jovens e Adultos) para se tornar bem sucedido, e sua interrupção vai na contramão dessas necessidades.

O Brasil apresenta uma das piores taxas de analfabetismo funcional da América do Sul e tem falhado em cumprir com compromissos internacionais estabelecidos para a área de educação de base - em 2000, o país prometeu chegar a 2015 com apenas 6,7% da população ainda analfabeta, mas atualmente esse índice é de 8,3%, o que equivale a cerca de 13 milhões de pessoas com 15 anos ou mais.

Além do Brazil Alfabetizado, estão previstos para 2016 cortes também no EJA e no ProJovem, programa que visa a elevar a escolaridade de jovens entre os 18 e 29 anos de idade. Na área do ensino superior, foram suspensos novos contratos do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil) e há previsão de suspensão também para as bolsas do ProUni (Programa Universidade para Todos) e Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego).

No âmbito da pós-graduação, o corte de bolsas de estudo e a sinalização de programas pagos em universidades federais é outra fonte de preocupação, apesar de o governo ter mantido o Ciência Sem Fronteiras para mestrados e doutorados. A PEC que altera o artigo 206 da Constituição Federal foi aprovada em 2015, para isentar cursos de pós-graduação, extensão e mestrado do princípio da gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. #Michel Temer #Crise-de-governo