Há cerca de duas semanas, a classe estudantil brasileira tem se unificado gradativamente para protestar contra o atual governo federal, de Michel #Temer e Cia., que divulgou recentemente a proposta de uma reforma curricular no ensino médio no país. A tentativa de mudança, que visa tornar as disciplinas integradas em ciências humanas, ciências da natureza, linguagem e matemática tem sido contestada por especialistas em #Educação. Já que a decisão tomada pelo Ministério da Educação ocorreu sem diálogo com a sociedade e, acima de tudo, existem propostas de retirar da grade de aula matérias como educação artística e até mesmo filosofia.

Na teoria, o debate com a sociedade antes de tomar a decisão é essencial para aperfeiçoar o projeto e assim conseguir uma solução eficaz para os problemas crônicos do ensino médio nacional. Além disso, os especialistas defendem que a integração das disciplinas não seria a saída para melhorar a atual qualidade da educação básica do país, considerada péssima e totalmente conservadora. Infelizmente na prática o Ministério diz que houve diálogo com a sociedade e que as conclusões foram baseadas após esse debate. Por outro lado, até agora não há comprovação da consulta pública sobre o tema.

Junto a tal reforma educacional, Temer tem articulado nas sombras do Planalto a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que visa congelar por 20 anos os investimentos em projetos sociais, principalmente na Educação e Saúde. A PEC, se passar, vai liquidar uma vitória de 2014 quando foi aprovado o Plano Nacional de Educação, que destina 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para o setor.

A manifestação dos alunos é a pura defesa de manter o seus direitos à educação e de forma qualitativa. No entanto, as atitudes do governo propõem uma esfera de estudo pouco analítica e mais focada em resultados, baseada no princípio da meritocracia, ou seja: "estude menos e trabalhe muito para conseguir ter algo".

O movimento estudantil tem sido um exemplo de atuação popular, de forma democrática, idealista e com um propósito social. A defesa em jogo é o próprio presente dos alunos, assim como das futuras gerações que poderão se deparar com um sistema de ensino incompleto, superficial e acima de tudo sem incentivo à pesquisa.

Transformar o currículo escolar do ensino médio significa inovar, trazer melhores perspectivas e investir no conhecimento dos alunos. Não é um projeto para torná-los operários e de mão de obra barata, para que empresários enriqueçam cada vez mais e a vala da desigualdade social seja ainda mais ampla.

Infelizmente, desde que tomou posse do governo, por meio de uma medida contestável juridicamente, Michel Temer e sua equipe têm apresentado projetos que afetam a vida dos mais pobres e principalmente dos trabalhadores. São atitudes que até o momento tiram cada vez mais a esperança de dias melhores para o brasileiro.

Apesar do problema que pode ocorrer, ainda há pessoas que criminalizam a atitude do movimento estudantil. No entanto, vale lembrar que muitos desses críticos no passado foram #Estudantes e muitos deles fizeram parte de uma luta contra a ditadura, época em que muitos perderam suas dignidades e visão de futuro.

Por isso é necessária à união e o apoio aos nossos estudantes, que sofrerão muito mais do que nós, já que conquistamos muito dos nossos objetivos. Esses jovens, como em outras épocas do Brasil, são o espelho da nossa esperança, do nosso orgulho e da nossa força de vontade em vencer, que não acatam um sistema educacional retrógrado e contra o conhecimento.

Se as propostas antissociais passarem, ficará difícil prever o futuro da nação. Ficará difícil ter projetos e metas para o próprio desenvolvimento. Porque não teremos informações e investimentos para a nossa capacidade intelectual. Assim como o livro de George Orwell, 1984, esse futuro promovido por governantes e empresários estará reservado a pessoas que nascerão apenas serem pagadores de impostos, sob os olhos do Grande Irmão.