Há pessoas que acreditam que proteger as crianças da sexualização precoce é o mesmo que não falar, em absoluto, de #sexo e #sexualidade com elas. Afinal, é mais fácil que professores se deparem com crianças pequenas se esfregando em suas cadeiras no jardim de infância do que os pais, sempre ocupados demais. Além disso, é difícil explicar aos adultos, já profundamente inseridos na nossa cultura e com ideologias internalizadas, que não há malícia na autodescoberta das crianças e, principalmente, que a ausência da malícia não significa o mesmo que ausência de sexualidade.

Muitos pais não se dão conta, mas grande parte do que a criança aprende sobre sexo e sexualidade ocorre dentro do próprio lar, observando as relações entre os pais, seus comportamentos e falas.

A curiosidade sobre seu próprio corpo e sobre o corpo do outro é comum na infância, fazendo parte do processo de descoberta do mundo e de que posição ela ocupa nele. Depois dos 3 anos, as crianças vão passar a se apalpar, a se lamber, a se tocar, tudo isso por pura curiosidade, apenas porque estão se conhecendo e sendo apresentadas a novas sensações. Não são explorações propriamente sexuais. (Obviamente, aqui, há um perigo iminente em relação aos pedófilos e é preciso atentar-se para que essas brincadeiras e explorações ocorram somente entre crianças da mesma idade).

Perceber as diferenças físicas entre as pessoas, por exemplo, é uma forma de reconhecer os gêneros - o que levará, posteriormente, ao estabelecimento da identidade de gênero, a qual não é, em absoluto, uma escolha. Nesse período, estar atento a comportamentos e discursos específicos é importante para notar se a criança pode ser uma pessoa transgênero: segundo pesquisa da Universidade de Washington, essas crianças têm consciência de sua identidade de gênero ao mesmo tempo que as crianças cisgênero, o que pode acontecer entre os 5 e os 12 anos de idade.

No início da idade escolar, por volta dos 6 ou 7 anos, crianças começam a desenvolver maior consciência dos papéis de gênero e de como eles são encarados socialmente. Há, nesse período, um aumento da percepção de noções sociais envolvendo sexo, nudez, privacidade, entre outros, principalmente por parte das meninas, uma vez que sua criação é mais voltada para a adequação comportamental que se espera de uma garota - apontamentos como se sentar de pernas fechadas, não falar palavrões, demonstrar mais vaidade ou cuidado com a aparência etc.

Entre os 6 e 10 anos de idade é que as crianças passam a ter um claro senso de pudor. Portanto, não falarão nem agirão abertamente a respeito de prazer e é um período em que também deixa-se de ter a ingenuidade completa: aos 8 anos, garotos podem ter ereção e garotas, lubrificação vaginal. A chegada da puberdade trará hormônios e mudanças corporais - e, frequentemente, vergonha. Nessa época, é importante que os pais conversem clara e abertamente com seus filhos. Segundo a psicóloga Fernanda Roche, em entrevista para a Revista Crescer, não é necessário ter a iniciativa de falar sobre sexo, mas estar aberto para que filhos venham com perguntas e reflexões. Essa interação permitirá que a criança entre para a adolescência mais preparada e desenvolva, aos poucos, um senso de responsabilidade quanto ao comportamento sexual.

Basta passar alguns poucos minutos dentro de uma sala de aula para se dar conta de que adolescentes estão em pleno contato com sua sexualidade e sua identidade de gênero - ainda que tenham dúvidas quanto a suas próprias características, no sentido de serem homossexuais, bissexuais ou mesmo transgêneros, uma vez que essas condições são vistas como "anormais" e debates acerca do tema são evitados a todo custo durante a infância. Assim, é preciso que adultos sejam abertos e tratem com clareza assuntos referentes a sexo porque, estatisticamente, a idade média em que jovens se tornam sexualmente ativos, no Brasil, é de 13 anos, segundo a pesquisa Durex Global Sex Survey, realizada pela marca de preservativos em 2012. #Educação