De acordo com pesquisa realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado na primeira quinzena de setembro, a média salarial do professor brasileiro corresponde a 39% do valor recebido pelos mesmos profissionais em países desenvolvidos, ganhando abaixo também dos professores de países como México, Chile e Colômbia.

Apesar de o salário base nacional ser de R$ 2.135,64, a realidade é que, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em #Educação, em mais de dez estados não se paga nem mesmo o piso - por exemplo no Sergipe, Ceará e Santa Catarina o professor não chega a receber R$ 2.000 pelo trabalho de 40 horas semanais.

Com salários tão baixos, professores se veem obrigados a enfrentar múltiplas jornadas, trabalhando em dois ou até três turnos, o que leva ao esgotamento físico e mental agravados pelo comportamento dos alunos em sala de aula - outro estudo realizado pelo OCDE revelou que 60% dos profissionais apontam ter mais de 10% de alunos-problema, o que coloca o Brasil no topo do ranking da indisciplina, além de ser também o país com a maior média de alunos por sala, 31, em comparação a 24 alunos na maior parte dos países pesquisados.

Além do mais, o trabalho realizado fora de sala de aula, que envolve planejamento das aulas, preparação de materiais e atividades, não costuma ser contabilizado - muito menos pago - e nos países estudados professores passam cerca de 40 semanas em sala de aula por ano, ao passo que no Brasil a média é de duas semanas a mais - dado que, por si só, justificaria uma aposentadoria especial.

Na última semana, um boato se espalhou pelas redes sociais: o ministro da educação, Mendonça Filho, teria dito que é preciso eliminar as regalias dos professores. Contudo, na página do MEC essa afirmação foi desmentida e, de fato, não é preciso ter conhecimento acerca da educação para saber que professores têm, na verdade, imensas desvantagens como trabalhadores. Por mais que o ministro não tenha feito essa declaração absurda, é preciso que estejamos atentos para como a educação continua a ser (mal) tratada em todos os níveis, principalmente nos ensinos fundamental e médio. 

A desvalorização do professor no país é algo histórico e, muito além das políticas necessárias para se melhorar o setor educacional como um todo, é urgente que haja uma mobilização voltada para o reconhecimento da importância da profissão docente, que passa, fundamentalmente, pela melhora dos salários e das condições para atuar nas escolas públicas. #Crise