As práticas pedagógicas, no ensino médio, se limitam muitas vezes a leitura em livros técnicos. As experiências dos alunos não são exploradas, o que descaracteriza o processo ensino-aprendizagem. A construção de conhecimento só tem êxito quando o sujeito consegue relacionar as discussões de sala de aula com a vivência diária. O sujeito da relação ensino-aprendizagem se humaniza dentro de um contexto sociocultural. A #Educação não pode querer mudar a realidade, ela tem o papel de humanizar o sujeito e este vai mudar a sua realidade. Então, como a realidade se torna o elemento essencial para o desenvolvimento, ela é o lúdico. Todo conhecimento vai se construir a partir das ideias do meio social em que o sujeito está inserido. A prática escolar deve aprimorar aquilo que é mais sublime no ser humano, ou seja, a humanidade.

A humanização do aluno ocorre quando consegue interagir com a sua realidade. O discurso aproxima realidade e conceituação. A filosofia se caracteriza pelo discurso organizado e lógico. Agora é preciso esclarecer como a experiência passa a ser o lúdico do diálogo. O conceito de diálogo, segundo Sócrates, deve sair das opiniões e chegar a conclusões fundamentadas na razão, assim como escreve Marcondes (2004, p.53):

O diálogo socrático visa o desmascaramento dessa realidade, buscando um consenso (homologia) fundado no conhecimento verdadeiro, no entendimento racional, na possibilidade de justificação. O ponto de resolução desse conflito entre opiniões e interesses é o próprio discurso, o diálogo. O discurso é sempre expressão de um sujeito, de um interesse, de um conjunto de crenças e valores, isto é, em última análise, de convenções.

O discurso, segundo Marcondes, leva o sujeito à atitude reflexiva sobre sua própria realidade. O espaço escolar deve assumir essa ideia. O mesmo pensamento desenvolvido pela Renata (2009, p. 15-16):

Uma ação de instigar nos jovens, de forma rigorosa, a partir do pensamento filosófico, o desejo de criar. Semear desejos de sub-versões seria uma fonte geradora de diferenças, cada um buscando ser ele mesmo, contra obediências em massa...pensar nas maneiras através das quais podemos contribuir para o processo de formação dos jovens como seres autônomos.

A prática pedagógica no ensino de filosofia passa a ser mais influente no sujeito, quando relacionado ao cotidiano dos alunos. O desenvolvimento do discurso é a prática da filosofia. Aquilo que é mais óbvio, ao sujeito da relação ensino-aprendizagem, deve ser o elemento da discussão. Como o aluno conhece sua realidade, a filosofia ensina este sujeito à desconstrução deste saber. Esta atitude é o filosofar. Ao entrar no mundo cultural do aluno compreendemos suas interseções durante o discurso, logo fica mais fácil de sistematizar. Assim como escreve Renata (2009, páginas 14-15):

Um ensino que se dê de maneira tal que leve ao desenvolvimento de uma disciplina filosófica no pensamento. Além da forma de pensar da ciência, para a qual treinamos tão bem os jovens, além da logicado mercado, suas seduções, o marketing, para além das tradições e senso comum, apresentar aos jovens e dar oportunidades de ensaiarem uma outra forma de pensar: a filosófica.