O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016 foi fraudado. A informação é da Polícia Federal. Agentes federais prenderam diversas pessoas no país que utilizavam pontos eletrônicos e celulares para receberem o gabarito das provas. Alguns candidatos também receberam o tema da redação e os gabaritos antecipadamente, horas antes da realização das provas. Um homem de 34 anos de Fortaleza (CE) chegou a ser preso em sala de aula com uma redação pronta para ser transcrita. O homem tinha ainda um celular onde recebia as respostas da prova e um ponto eletrônico por meio do qual alguém iria passar as respostas para ele. Um outro homem, de 31 anos, no Macapá, foi preso logo após fazer a prova e confessou que recebeu uma redação pronta antecipadamente. Com ele foi apreendida uma redação com o mesmo tema do #ENEM, digitada. 

A delegada da Polícia Federal, Fernanda Coutinho, garante que o exame foi mesmo fraudado e que alguns candidatos chegaram a pagar R$ 180 mil para receber antecipadamente os gabaritos. Até o momento o Ministério da Educação mantém silêncio sobre o assunto, apesar dos insistentes pedidos da imprensa por esclarecimentos. A Polícia Federal prendeu 14 pessoas de vários estados brasileiros que faziam parte do esquema. Não se sabe, entretanto, quantas pessoas tiveram sucesso na fraude, roubando de candidatos honestos potenciais vagas nas faculdades e universidades. 

Os fraudadores receberam o gabarito das provas e o tema da redação por volta das 11 horas deste domingo (6), cerca de 1h30 antes do início oficial do exame. Em outros anos tentativas de fraude foram identificadas, mas não com a dimensão da atual. De acordo com a Polícia Federal, nos anos anteriores um único candidato se inscrevia, fazia a prova e enviava as respostas para os demais estudantes. Este ano, entretanto, o gabarito foi vazado antecipadamente, ou seja, possivelmente alguém responsável pela organização do Enem vendeu as respostas para uma organização criminosa especializada em fraudar concursos. As respostas foram repassadas aos demais candidatos via Whatsapp. A PF revelou que os membros da quadrilha já atuaram em fraudes de vestibulares em 2016, nos estados de Goiás e Bahia.