O tema da #redação do Enem desse ano, divulgado nas redes sociais pelo Inep/MEC, deu o que falar e não demorou muito para os internautas se manifestarem a respeito: "crentes não passarão" e "intolerantes não passarão" foram as principais frases.

Nesse exato momento mais de 8 milhões de inscritos devem fazer uma redação sobre o tema "Caminhos para combater a #intolerância religiosa no Brasil" e o debate, como de costume, se estende à toda a sociedade, que reflete sobre respeito e liberdade de crença nos grupos do WhatsApp, nos posts do Facebook e nos poucos caracteres do Twitter.

A temática dividiu as redes sociais, basicamente, em dois grandes grupos: o dos que trazem a laicidade do estado como argumento para defender o fim da "bancada evangélica" no parlamento, e o dos que se sentem perseguidos por sua crença. Existe, ainda, um terceiro grupo, discreto, que enxerga imaturidade no debate, no qual se encontra intolerância de todos os lados.

O Brasil é um país diversificado, com inúmeras religiões sendo difundidas diariamente: além das crenças cristãs, existem as de matriz africana, indígena, também têm os agnósticos, ateus, etc. E no espectro existem, ainda, nuances entre uma fé e outra, pessoas indefinidas, céticas, humanistas, etc. A religião e a fé são fenômenos complexos e nisso todo mundo concorda. E foi por causa dessa diversidade que a nossa constituição tratou de prever em seu texto, como garantia fundamental, a liberdade de crença, como expresso no art. 5º, VI: "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias".

Fica claro que, de acordo com a nossa carta magna, é direito e dever individual e coletivo respeitar a liberdade de crença, inclusive a de "não crença". Ao mesmo passo em que a lei constitucional prevê, também, em seu art. 19, que "é vedado à União, aos Estados e ao Distrito Federal e aos Municípios: I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público".

A questão trazida esse ano ano é: ambos direitos/deveres são respeitados?

É importante, dessa forma, que temas como este sejam propostos para a sociedade civil, para que se estimule o pensar, o confronto de ideias e o debate sadio. Só assim teremos um Brasil democrático e tolerante. #ENEM