É uma verdade absoluta, que um dos principais investimentos que pode trazer o desenvolvimento para um país e seu povo, é o investimento na educação e, apesar de todo o caos político e econômico que o Brasil vem atravessando ultimamente, o excelente exemplo que “contamina” a todos positivamente, vem de dois alunos que pertencem a uma minoria étnica dentro do país, a saber, eles são literalmente indígenas. No último dia 23 de dezembro, um grupo de 130 universitários colou grau se formando em Medicina pela UFMG e dentre eles um casal de índios, cujos nomes são Amaynara Silva Souza e Vazigton Guedes Oliveira ou Zig, como é comumente chamado. Ambos são da etnia pataxó e vieram de Carmésia, terras dos índios no Vale do Rio de Doce mineiro, e de Cumuruxatiba, regiões localizadas no sul baiano.

Apesar do difícil processo de adaptação cultural por parte dos pataxós em relação à Universidade e à cidade grande como um todo, onde fatores geográficos, climáticos, ritmo intenso do dia a dia e a saudade da família acabaram influenciando o psicológico dos dois, mas conforme o testemunho da universitária indígena Amaynara, tudo acabou sendo vencido por meio do suporte dos colegas estudantes e o auxílio singular da Fump - Fundação Universitária Mendes Pimentel / Assistência Estudantil, Moradia universitária da UFMG, sem a qual os jovens médicos não poderiam ter permanecido no campus universitário, até mesmo porque as aldeias de onde partiram não tinham condições de mante-los estudando, alimentados e alojados.

Zig, o rapaz pataxó, fez questão de deixar claro que apesar do abalo cultural da experiência, ele considera vital que outros indígenas possam ser inseridos na formação superior, pois realmente, “a oferta de vagas em outros cursos além da licenciatura é um desejo antigo dos nossos povos. Foi uma grande conquista de nossas lideranças junto com a Universidade”, disse o mais novo médico indígena. Foi graças ao denominado “Programa de Vagas Suplementares para Estudantes Indígenas” que tanto ele quanto Amaynara puderam entrar na faculdade.

Ou seja, a ação em si aglutina as ações direcionadas às tribos, junto com o programa de cotas e o processo de formação de professores índios. As vagas são preenchidas através de processo de recrutamento e seleção especial, mirando os alunos que por vários motivos diferentes, não conseguiram acessar o ensino dito regular.

Amaynara explicou que o programa é crucial para que os índios possam ingressar na Universidade, uma vez que as vagas a mais são destinadas aos indígenas que tiveram uma educação de base mais precária e mesmo com as cotas, têm mais dificuldades para conseguir estudar. O #Vestibular prestado pelos indígenas possuiu questões e assunto de redação correlacionados ao universo indígena.

Os dois pataxós esperam no momento, o resultado final da avaliação de residência médica a fim de continuarem os estudos e que assim, possam se especializar em medicina de família e comunidade, oferecendo às suas aldeias de origem, entre outras, os conhecimentos universitários conquistados.

Amaynara no mês de setembro do ano corrente abordou em entrevista à TV UFMG o porque de sua escolha tanto universitária quanto profissional, destacando a necessidade premente da inserção de mais indígenas no ensino superior. Através desses dois jovens das aldeias, muitos outros poderão dizer: que orgulho de ser brasileiro! #estudo #Corrupção