Na manhã desta quarta-feira, 15 de fevereiro, 27 pessoas foram presas acusadas de desviar recursos públicos destinados a bolsas para estudantes da Universidade Federal do Paraná (#UFPR), na #Operação Research (pesquisa em inglês) da Polícia Federal (PF).

O alvo da operação são bolsas concedidas entre os anos de 2013 e 2016 a pessoas que não possuíam nenhum vínculo com a UFPR, ou seja, não eram estudantes nem pesquisadores da universidade. Ao todo foram expedidos 73 mandatos de prisão pela PF, sendo 29 de prisão temporária, 8 de condução coercitiva e 36 mandatos de busca e apreensão, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

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A investigação é fruto de ação conjunta entre o Tribunal de Contas da União e o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle.

O reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, afirma que a denúncia de irregularidades foi feita pela própria instituição ao final da gestão anterior, de Zak Akel. “No dia 2 de dezembro foi comunicado [as irregularidades]. E as investigações que estão acontecendo agora são exatamente por iniciativa da universidade”, afirmou em entrevista concedida ao jornal Gazeta do Povo.

Os desvios de recursos na UFPR

A Operação Research apontou o pagamento sistemático de bolsas a pessoas que não possuíam vínculo com a UFPR. Os recursos desviados constavam como auxílio a pesquisadores e bolsas de estudo no Brasil e no exterior.

De acordo com nota divulgada a imprensa, a UFPR afirma que as duas servidoras suspeitas de desviarem o dinheiro público foram suspensas de suas atividades, além disso, o reitor determinou a criação do Comitê de Governança de Bolsas e Auxílios, para aperfeiçoar os mecanismos de controle das verbas destinadas a pesquisadores.

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O sistema de bolsas na UFPR

Para que um estudante consiga bolsa, por exemplo, no nível de doutorado ou mestrado, é preciso comprovar produção científica regular, participação em eventos da sua área, currículo acadêmico relevante, comprometimento de dedicação exclusiva à pesquisa durante o período da bolsa, que é geralmente de 12 meses, renovável a cada ano.

Além disso, é preciso ser aceito em processo seletivo que é composto, geralmente, por uma prova dissertativa, análise de currículo e projeto de pesquisa, prova de suficiência em língua estrangeira e ainda entrevista com banca examinadora.

Todos esses dados são avaliados periodicamente também pelas instituições de fomento, que podem exigir relatórios mensais dos pesquisadores referentes ao andamento de seus estudos, portanto, é um golpe para toda a comunidade acadêmica que tal desvio tenha acontecido quando centenas de estudantes e pesquisadores batalham diariamente para conseguir uma bolsa, dedicando todos os esforços possíveis para que sua pesquisa possa ser realizada.