Uma humorista de um programa de televisão usava e/ou ainda usa o jargão dinheiro não é problema, é solução. Só que São Francisco do Conde ainda não aprendeu a resolver seus problemas com o montão de dinheiro que arrecada. O pequeno município de aproximadamente 266 km/2 e cerca de 40 mil habitantes segundo o IBGE, fica situado geograficamente no Recôncavo Baiano e economicamente na Região Metropolitana de Salvador. Mesmo com o acumulado altíssimo de mais de R$ 30 milhões por mês advindos do refino do petróleo na Refinaria Landulpho Aves, situada no município, parece que os problemas são intermináveis. A população carente vive basicamente dos programas sociais dos Governos Federal e Municipal. Na cidade falta quase tudo, inclusive educação de qualidade.

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Estamos praticamente no meio do mês de março e as aulas em São Francisco do Conde só vão começar nesta segunda-feira (13). O raio X da #Educação na prática é calamitoso. Parte dos alunos vai para escola 8h e é liberada às 10h. As escolas não têm telefone, nem internet. Os professores recebem salários de acordo a conveniência política, alguns não passavam de R$ 1 mil por mês.

Até que nos últimos anos ensaiaram um esforço em melhorar o ensino, mas não conseguem avançar por manterem o velho formato do comodismo. Para se ter ideia da gravidade do problema, em 2016 o orçamento da educação municipal foi mais de R$ 100 milhões, e a prefeitura inaugurou a reforma e ampliação de escola no meio do ano. A outra que tinha acabado de ser reformada alagou na primeira chuva após as melhorias.

A Câmara de Vereadores de São Francisco do Conde quase não pressiona os prefeitos, deixando esta missão para um ou outro vereador de oposição. Mesmo com o jogo de compadres, nos últimos dois anos, os parlamentares aliados do governo bateram nesta tecla, denunciando o estado de abandono das unidades escolar, que sofre, além das coisas já citadas, com a falta de água, às vezes merenda, manutenção, ventiladores, e livros.

Em 2015 este importante instrumento de aprendizado só foi distribuído em agosto. Mas não pense que há aqui um desencontro de informações. Alguns vereadores só resolvem admitir problemas e cobrar com bastante firmeza, quando o executivo deixa por muito tempo de atender as solicitações dos questionadores.

Entre 2010 e 2014, a prefeitura de São Francisco do Conde construiu três prédios modernos para a educação básica do município. Um foi entregue ao Governo Federal para implantação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), o outro o município está usando para alunos de 1º e 2º ano fundamental, objetivo era ser uma escola modelo mas isso não aconteceu, já o terceiro prédio a obra nunca foi concluída. Na última quinta-feira, foi inaugurado um complexo escolar que leva o nome da ex-prefeita Rilza Valentim, morta em 2014. Em 2017 a esperança de uma educação de qualidade se renova, na cidade que em 2010 teve a maior renda per capta do Brasil, de acordo com dados do IBGE, mas no ano passado diversas greves de estudantes e pais de alunos por melhoras no ensino, balançaram a administração do atual prefeito Evandro Almeida, que mesmo no momento de desconfiança conseguiu se reeleger depois de assumir um mandato tampão de dois anos, assumindo o lugar deixado por Riza Valentim de quem foi vice por seis anos.

Falar dos problemas da cidade onde nasceram pessoas ilustres como Mário Augusto Teixeira de Freitas, dos Jogadores de futebol Edivaldo dos Santos (Baiaco) e Osmar Machado seria necessário uma enciclopédia com vários volumes. Aqui contamos apenas um resumo sobre as mazelas da educação franciscana.