O hábito de ler permite ao estudante ampliar sua formação escolar, proporcionando-lhe uma nova leitura de mundo. Ler favorece o acesso às mais variadas informações e também possibilita um enriquecimento de vocabulário, desenvolvimento do senso crítico, pensamento reflexivo e interesse por novos conhecimentos.

No entanto, para se chegar a um nível de competência leitora e escritora ideal, ou seja, a do uso proficiente da língua, os Parâmetros Curriculares Nacionais definem que o aluno, ao final da escolarização básica, deve ser capaz de compreender integralmente aquilo que lê, ultrapassando o nível explícito a ponto de identificar elementos implícitos.

Publicidade
Publicidade

Dentro deste contexto, estratégias pedagógicas bem elaboradas e criativas são fundamentais para incentivar o gosto pela leitura. Contudo, quebrando os paradigmas de uma educação convencional, temos Paulo Freire afirmando que: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”.

De acordo com o educador, o ato de ler deve buscar a percepção crítica, a interpretação e a reescrita daquilo que foi lido pelo indivíduo. E nesse processo, o professor deve estar em concordância sobre aquilo que diz e faz, pois, “não é o discurso que ajuíza a prática, mas a prática que ajuíza o discurso”, afirma Freire.

Antes de propormos estratégias eficazes ou sugerirmos referências literárias em sala de aula, temos que acreditar no que fazemos e, acima de tudo, conhecermos nossos alunos. Descobrir quais impressões trazem das experiências vividas.

Publicidade

Refletir sobre como estabelecem as relações de afeto, rejeição e compreensão do outro e de si.

Ou seja, é imprescindível ao educador reconhecer que, antes mesmo da leitura escrita, existe uma leitura de mundo feita individualmente e de maneira particular. A partir dessa descoberta, o educador deve se preocupar em apresentar textos que dialoguem com a realidade do aluno, tornando a prática natural e familiar para ele.

Segundo Freire, ler não é caminhar sobre as letras, mas interpretar o mundo e poder lançar sua palavra sobre ele, interferir no mundo pela ação. Ler é tomar consciência. A leitura é antes de tudo uma interpretação do mundo em que se vive. Mas não só ler. É também representá-lo pela linguagem escrita. Falar sobre ele, interpretá-lo, escrevê-lo. Ler e escrever, dentro desta perspectiva, é também libertar-se. Leitura e escrita como prática de liberdade. [ALMEIDA, Fernando José. Paulo Freire. São Paulo: Publifolha, 2010].

Formar bons leitores não é progredir somente no aspecto intelectual. Não se trata de um simples exercício para agregar conhecimento. É refletir sobre o mundo de maneira prática, crítica e questionadora. É conseguir envolver diferentes perfis de alunos, partindo de suas experiências pessoais. Pois, à medida que o aluno consegue codificar sua própria realidade, ele aumenta a capacidade de perceber o mundo e aprender com ele. #Leitura e mundo #Paulo Freire e Educação #Leitores do mundo e da palavra