Após 1600 anos do declínio do politeísmo greco-romano, no contexto do Império Romano, nunca se viu uma personagem feminina tão representativa e que incomodasse a Igreja e o pensamento cristão-religioso de uma época. A #Mulher por mais que historicamente tenha desempenhado um papel fundamental em diferentes contextos históricos, nunca havia antes “enfrentado” a tal dominação masculina no campo da ciência e religião.

Durante anos, as reivindicações da mulher eram, ou por espaço na família, no trabalho ou como sujeito que deveria possuir os mesmos direitos que os homens na sociedade, deixando em aberto a “disputa” no campo da produção intelectual, na influência do pensamento vigente.

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No entanto, nunca na história uma mulher exerceu um papel tão influente para o desenvolvimento do pensamento filosófico e científico, como Hipátia de Alexandria.

Filha de Theon, famoso filósofo, astrônomo e matemático da época, ela que era adepta da corrente filosófica neoplatônica, e foi desde cedo preparada para lidar com os diversos questionamentos filosóficos e científicos da época, contribuindo posteriormente para o desenvolvimento da matemática, astronomia e #Filosofia, além de trazer uma luz sobre as questões religiosas e do espírito. Mas seus questionamentos, ideias e descobertas incomodavam a fé cristã e seus fanáticos seguidores da época.

Foi no contexto do Declínio do Império Romano, na cidade de Alexandria, por volta de 400 d. C., que cristãos, pagãos e judeus conviviam e se conflitavam.

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Vítima de uma das maiores perseguições por parte de grupos religiosos, Hipátia foi brutalmente assassinada em 08 de março de 415 d. C. aos 60 anos de idade, e lançada à fogueira (àgora), como era de costume aos que desafiavam a fé cristã.

O motivo de sua morte, segundo o relato de Sócrates, o Escolástico, foi por vingança. Dizia-se que ela tinha uma grande influência sobre Orestes, prefeito da cidade, que a admirava. E existiam duas facções religiosas que se opunham na época. Então, após Orestes ter mandado matar um monge cristão chamado Amónio, o bispo Cirilo e seus correligionários, se enfureceram e escolheram Hipátia como alvo de represália, para vingar a morte do monge.

Apesar do seu desfecho trágico e de não preservarem vários de seus registros, as contribuições de Hipátia para a ciência foram significativas para uma mulher daquela época, em que a Igreja Católica exercia grande domínio e influência. Suas contribuições incluíam o mapeamento dos corpos celestes; o aperfeiçoamento do hidrômetro, utilizado para determinar a densidade relativa de líquidos; e o desenvolvimento das formas cônicas. Atribui-se também a ela, contribuição para o desenvolvimento da primeira lei de Kepler, sobre as órbitas planetárias.

Hipátia era membro da Academia de Alexandria, onde lecionava, e após 30 anos se tornou Diretora. Seus conhecimentos abrangiam Filosofia, Matemática, Astronomia, Religião, Poesia e Artes. Era também versada em oratória e retórica. #Feminismo