No Brasil, já se tornou parte do currículo de muitas escolas adotarem as inúmeras datas comemorativas, presentes no calendário civil, como conteúdo a ser abordado no trabalho pedagógico com as crianças, ao longo do ano letivo. Desde o Dia Mundial da Paz (janeiro) até o Natal (dezembro), o que não falta são datas festivas para serem lembradas.

O que está em questão, não é necessariamente a importância de cada data para a sociedade de uma forma geral, mas, o significado que ela ganha ao ser transformada em conteúdo escolar. Muitas vezes, a equipe pedagógica, por não refletir sobre a relevância e adequação de determinado assunto que é apresentado como conteúdo, acaba por repetir anualmente práticas que atendem a um padrão comercial imposto e que pouco aprendizado agrega no desenvolvimento das crianças.

Cada vez mais os professores têm sido chamados à reflexão, quando o assunto é “data comemorativa”.

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É preciso pensar no que está sendo reforçado ou negado quando se oferece “inocentemente” o desenho do Coelhinho da Páscoa. É preciso refletir sobre a adequação de se trabalhar incansavelmente o “Dia das Mães”, quando muitas crianças estão inseridas em arranjos familiares diversos. É preciso refletir sobre uma pintura com o tema “Consciência Negra” quando na escola, não se vivencia experiências de valorização das diversas culturas ou de combate ao preconceito.

Coerência, pesquisa, escuta das crianças e suas famílias, reflexão são palavras-chave para propor qualquer atividade desta natureza.

Sugestões de atividades

Aqui foram listadas algumas possibilidades que podem inspirar professores no trabalho reflexivo com algumas datas comemorativas:

Dia Internacional da Mulher – A flor ou mimo entregue pelas crianças a alguma mulher de sua família parece não ser suficiente ou coerente quando historicamente a mulher em nossa sociedade viveu e vive num contexto, muitas vezes, de violência ou de vulnerabilidade social e econômica.

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Quando se leva um tema como “Mulher” para dentro da escola e o toma como um conteúdo pedagógico cabe aprofundar a reflexão. É possível propor uma pesquisa sobre Mulheres lutadoras ou Mulheres talentosas, evidenciado suas lutas e suas conquistas. Partilhar vivências, histórias de vida.

Dia das Mães – Algumas escolas têm optado por trabalhar não o “Dia dos Pais” ou “Dia das Mães”, mas sim o “Dia da Família”, por considerar os diferentes formatos familiares no qual as crianças estão inseridas. Construir uma árvore genealógica, convidar um parente para vir na sala e apresentar para a turma, fazer um mural com foto das diferentes famílias, propor o Dia da Família como um momento para que o representante da família participe ouvindo ou contando uma história, socialize um talento pessoal (pintura, por exemplo), construa um brinquedo reciclado na escola sob orientação do #professor, prepare uma receita de família na escola, brinque de roda ou de outra brincadeira da cultura familiar, faça um piquenique com a turma, participe de uma aula de dança, etc.

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Estas são possibilidades para conhecer, estreitar os laços e valorizar as famílias em seus diferentes formatos.

Dia do Índio e Dia da Consciência Negra – Ao invés de fazer pintura de rosto, desenhos prontos ou preparar cocar para as crianças o professor pode propor um trabalho de pesquisa sobre a influência da cultura indígena e negra para a formação do povo brasileiro. A pesquisa pode ser feita sobre a origem do nome das crianças; construção e vivência de brinquedos e brincadeiras, comidas, hábitos, palavras do vocabulário de origem africana e indígena; pode-se fazer uma pesquisa sobre algum país africano e sobre quem são os indígenas no Brasil de hoje. Quem são? Como vivem? Ao aprofundar o trabalho destas temáticas o professor terá mais chances de dar significado ao seu trabalho e enriquecer o aprendizado das crianças. #criança #Educação