Há séculos, o ensaísta, filósofo e político inglês Francis Bacon disse que “gostaria de viver para estudar e não de estudar para viver”, ou seja, a escala de valores ou prioridades de Bacon era diferente da realidade de muitas pessoas no mundo moderno. Não que os indivíduos da atualidade não queiram estudar ou ter esse objetivo como o principal das suas vidas; entretanto, as obrigações e adversidades, tais como falta de estrutura familiar, baixo poder aquisitivo e outros fatores, obrigam os estudantes a ter de conciliar o estudo com o trabalho árduo para se manterem.

Todavia, uma jovem brasileira de origem extremamente humilde, conseguiu quebrar com sucesso o paradigma do condicionamento social de que quem é pobre nunca alcançará o sucesso profissional ou, em outras palavras, é algo semelhante ao sistema de castas indiano, aqui mesmo no imenso Brasil.

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Trata-se de Adriana Maria Queiroz, uma juíza de 38 anos de idade, que percorreu um caminho no mínimo surpreendente até chegar ao Poder Judiciário.

Adriana é a juíza titular da 1ª Vara Cívil e da Vara da Infância e Juventude existente na cidade de Quirinópolis, no estado de Goiás, mas nem sempre foi assim, uma vez que para conquistar tal cargo, a moça teve que vivenciar primeiramente uma infância de pobreza, o que não é demérito para ninguém, pelo contrário, e também labutou como faxineira para ganhar #Dinheiro e poder pagar a sua faculdade de direito.

Na realidade, tanto o pai quanto a mãe de Adriana Maria saíram da região rural da cidade do Sudoeste baiano, chamada Guanambi, e foram residir na distante Tupã, cidade interiorana no Estado de São Paulo, visando um futuro melhor para eles próprios, bem como para os seus seis filhos.

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Foi em Tupã que Adriana frequentou as escolas da rede pública de ensino e, quando cursava o Ensino Médio, demonstrou o interesse por estudar direito.

Só havia alguns detalhes, que muito embora não devessem atrapalhá-la na dita sociedade pluralista brasileira, poderiam ser sim, um grande obstáculo, pois Adriana era pobre e negra. Todavia, ela passou por alto tais barreiras e as utilizou como fatores motivacionais para a escolha do curso superior.

Adriana sempre faz questão de recordar que por ser protagonista de um contexto social injusto e de exclusão, ela conseguiu detectar que o curso de direito poderia ser o instrumento ideal para que obtivesse mais conhecimentos, os quais poderiam ser os aliados ideais para mudar a sua história de vida e das demais pessoas próximas a ela.

Vale frisar que não foi o fato de Adriana ter sido aprovada para uma faculdade particular de Tupã que isso fez a vida dela ser mais fácil, uma vez que a #Família da moça não poderia ajudá-la na conquista do seu sonho, pois não havia dinheiro suficiente para todos.

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O que fez Adriana então? Foi trabalhar como faxineira na Santa Casa de Tupã para pagar os estudos e sobreviver. Logo depois que terminou o curso de direito, ela mesma pediu demissão do serviço e foi para a capital paulistana, onde estudou por mais 7 anos por iniciativa própria, passando por maus pedaços nesse meio tempo, até conseguir ser aprovada na seleção para juíza no ano de 2011, tomando posse na capital de Goiás, Goiânia.

Adriana não parou de estudar e, paralelamente, pode concluir cinco pós-graduações, todas voltadas ao segmento de direito. A juíza, por agora, quer se graduar em letras, já que pretende também escrever livros. Inclusive o primeiro já aconteceu, cujo título é “Dez Passos para Alcançar seus Sonhos", narrando a sua trajetória de vida.

Adriana Maria Queiroz, uma brasileira da pequena cidade baiana de Guanambi, que não nega suas origens; uma guerreira e que enche a todos de orgulho.