Em declaração feita nesta quarta-feira, 2, Mario Neto Borges, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), afirma que o órgão, um dos principais agentes de fomentos à pesquisa do país, atingiu seu teto orçamentário. O CNPq é vinculado ao #Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), dirigido atualmente por Gilberto Kassab.

Devido à política de contingenciamento imposta pelo governo federal a partir de março, o CNPq está autorizado a gastar apenas 56% do total de R$1,67 bilhão referente ao orçamento aprovado para este 2017. Isso corresponde a aproximadamente R$730 milhões, dos quais já foram gastos R$672 milhões, de acordo com Borges.

Publicidade
Publicidade

Caso ocorra a suspensão dos repasses para bolsas e projetos, cerca de 90 mil bolsistas e 20 mil pesquisadores serão prejudicados. De acordo com declaração do MCTIC à revista Época, não haverá descontinuidade no referido pagamento, embora o Ministério não explique como pretende cumprí-lo.

O corte de verbas no #Ensino Superior vem acontecendo desde 2015 e se agravou neste ano, com o congelamento de 44% do orçamento destinado ao MCTIC. Diversas universidades federais anunciaram que só têm verba suficiente para funcionar até o mês de setembro, sendo que grandes instituições como a UFMG e a UFRJ estão com suas contas - inclusive de luz - atrasadas.

Para contornar parte dos gastos, algumas universidades demitiram seus funcionários terceirizados, outras procuram formas de renegociar seus contratos e de estabelecer parcerias, além de incentivarem pequenas economias.

Publicidade

Na UFES, por exemplo, detentos em regime semi-aberto foram empregados na limpeza do campus, ação realizada em parceria com a Secretaria de Justiça do Espírito Santo.

Uma campanha chamada "Conhecimento sem Cortes" teve início em junho, com o objetivo de chamar a atenção para os cortes no ensino que têm levado ao sucateamento das universidades. A iniciativa envolve ainda a instalação do "Tesourômetro", painel que exibe o valor do corte no orçamento das universidades públicas desde 2015, com atualização em tempo real - e que já passa dos R$11,6 bilhões. Até o momento, foram inaugurados "Tesourômetros" na UFRJ e na UFMG; ainda este mês haverá uma inauguração na UnB. O projeto está arrecadando assinaturas para um abaixo-assinado que visa à retomada dos investimentos em educação e pesquisa, bem como a garantir a continuidade das bolsas e a impedir o desmonte do setor no Brasil. #Crise no Brasil