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Em 2015, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) trouxe à tona em sua proposta de redação uma problemática bastante pungente em nossa sociedade: o aumento dos casos de violência contra a mulher. Na última década, o #Governo já havia tomado algumas atitudes com relação ao tema, tais como a criação de um disque denúncia, uma delegacia da mulher e a própria instituição da Lei Maria da Penha. Porém, as estatísticas com relação às incidências de femicídio, violência física e moral apenas aumentaram. Existe na prova de redação um critério de análise obrigatório há mais de 10 anos, a criação de uma proposta de intervenção social para o problema apresentado, em que o candidato deverá apresentar soluções cabíveis para sanar ou até solucionar o problema.

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Em 2016, foi a vez de duas temáticas surgirem, já que foram realizados dois exames, devido a algumas escolas públicas estarem em manifestação. Os preconceitos religioso e racial subiram ao palco do exame como problemas que nos levam à violência da intolerância. A especulação de que novamente o tema possa estar no cenário da violência vem do fato de uma análise sóbria a respeito das estatísticas anuais. Em sua coletânea de textos que servirão de apoio ao candidato, é uma tradição do #ENEM trazer uma série de informações numéricas que denotam uma realidade mais enfática do problema que está sendo abordado. Quando os números reveladores de um fator negativo à sociedade revelam um aumento, soa um alarme aos elaboradores da prova.

Desta vez, os holofotes se voltam para os casos de #Linchamento e justiçamento, como foi o que ocorreu no Rio de Janeiro em que um jovem suspeito de assaltar uma loja foi amarado nu a um poste e espancado até a morte.

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Um episódio semelhante ganhou as manchetes internacionais. Outro episódio bastante conhecido foi o de um vídeo que revela um homem, suspeito de assalto na periferia de Teresina, arremessado sobre um formigueiro, sem mobilidade alguma, todo amarrado e marcas de agressão no rosto. Um jornal estrangeiro rotulou o caso como “justiça à brasileira”. Recentemente, um adolescente teve tatuado em sua testa os seguintes dizeres: "Eu sou ladrão e vacilão", tal fato foi altamente repercutido na mídia, o responsável pelo incidente foi identificado por ter sido o primeiro a publicar o vídeo da feitoria da tatuagem em sua rede social. Tais vídeos têm ganhado cada vez mais visualizações e têm influenciado cada vez mais pessoas pelo país a propagarem ondas de justiça com as próprias mãos. Mais parece que voltamos à Idade Média.

Linchamento é crime, e não apenas o aumento de sua recorrência é um fator alarmante em nossa sociedade, mas também a impunidade daqueles que os cometem. Este é sem dúvida um prato cheio para uma proposta de redação do ENEM num momento em que sofremos de violência moral com a corrupção de nossos políticos, a violência física vem dos assaltantes nesta crise econômica, não há polícia que dê conta.

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Crimes que sujam as mãos seja de dinheiro, seja de sangue, atraem a justiça com as próprias mãos de uma sociedade vitimada e carente de uma proposta de intervenção social que não queira bancar a justiceira.