Prenúncio de um desastre: A seleção brasileira chegava à semifinal contra a seleção alemã e a paixão brasileira teimava em acreditar que chegaríamos ao hexacampeonato, apesar de as partidas anteriores terem nos deixado desconfiados e pouco convencidos disto. Entre elas, a partida contra o México terminou em empate e a contra o Chile cujo resultado no final da prorrogação foi 1x1, com os minutos finais a deixar-nos, cardíacos ou não, com o coração pulando como a brazuca em nossa área, chocando-se com perigo contra a trave poucos segundos antes do juiz soar o apito, e se possível dizer meio que aliviando toda a torcida brasileira, que sofreria ainda na disputa de pênaltis, ganha pelo Brasil por 3x2, graças ao talento do goleiro Júlio Cesar.

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Então, tínhamos pela frente a correta seleção da Alemanha, constituída por um grupo de jogadores que jogam juntos desde a fase classificatória da última copa de 2010, cuja base é oriunda dos times alemães FC Bayern Munich e Borussia Dortmund. Isto deixava os duzentos milhões de "técnicos" brasileiros (principalmente muitos reconhecidos comentaristas de futebol) em sua maioria, sugerindo ao técnico da seleção brasileira Felipão (Luiz Felipe Scolari, hoje, já demitido), que corrigisse o visivelmente falho, meio de campo da nossa seleção, reforçando-a a fim de impedir que os alemães tivessem muito espaço para trocar passes e chegar com facilidade a nossa meta. Devia, também, considerar que não contaríamos com nosso melhor jogador Neymar contundido por agressão de um jogador colombiano na última partida das quartas de final.

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Mas, era dia de o ego do Felipão trair a inegada confiança depositada nele pela nossa torcida, desde o notável feito em 2002 com a conquista do honroso pentacampeonato. E o que fez ele, lançou-se ao ataque, colocando Bernad pela esquerda e mantendo o Hulk, não cobrindo o meio de campo como sugeria a ocasião, para sair jogando no contra-ataque. A Alemanha apesar de ser uma boa seleção tivera sérias dificuldades, jogando contra as seleções de Gana e Argélia que souberam fazer isto e o Felipão não seguiu a deixa.

Raios fulminantes rasgam meu frágil Belo Horizonte:

Terça-feira, dia 8 de julho de 2014, ás 17 horas (finjo que foi no ano passado, mas foi há duas semanas, neste mesmo julho que corre ainda...), Brasil e Alemanha entram em campo no Estádio do Mineirão em Belo Horizonte em uma das semifinais da copa 2014. Minha arquibancada é minha cama, a tv expunha o evento ansiosamente esperado. As condições colocadas pela FIFA, CBF e Governo Brasileiro não contemplaram a maioria dos torcedores desta nação com a possibilidade genuína de poderem assistir nos estádios as partidas desta copa do mundo, os preços dos ingressos favoreciam a parte mais abastada da sociedade, não o povão apaixonado pelo futebol que faz do Brasil o senhor do futebol.

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Atento eu observo a entrada das equipes, quando avisto a seleção alemã, chamou-me a atenção a serenidade do jogador alemão Ozil, que nem de perto vinha rendendo o seu melhor nesta copa, porém, aquele ar sereno fez-me pensar que a Alemanha ganharia o jogo, estava mais confiante, refutei imediatamente tal idéia e me fechei na fé míope de que mesmo com a arrogância da comissão técnica o Brasil venceria a partida.

Aos 10 minutos do primeiro tempo, Thomas Muller, o craque alemão fez o primeiro disparo certeiro no orgulho e arrogância do atual futebol brasileiro e em mais dezoito minutos vi ruir o piso do meu sonho, do nosso sonho de hexacampeonato com mais quatro gols rápidos como coriscos a cortar o céu do meu agora Feio Horizonte. Terminou a primeira etapa da partida e o placar cruel não me permitia negar a tragédia que destroçava o futebol brasileiro 5 a 0 a favor dos alemães.

Segundo tempo ou ponto final:

Corajoso ou paralisado aguardei a segunda etapa da partida e vi os alemães marcarem mais duas vezes. Aos 45 minutos ,quando já terminava a partida Oscar em tímido lampejo de honra fez um gol, que não diminuía a dor e o vexame que nos foi imposto. Decidi, ali, naquele momento que não mais assistiria partidas da seleção brasileira, nunca mais me envolveria com o Brasil em copa do mundo. Lembrei como os times brasileiros não têm investido nas equipes de base, como a televisão comanda os horários dos jogos nos campeonatos estaduais e no campeonato brasileiro, como a CBF é corporativista de longa data, quase mumificada, impedindo avanços possíveis e necessários ao nosso valoroso futebol; e como o Governo Brasileiro não consegue perceber o futebol como uma fonte importantíssima para economia brasileira.

Hoje, quando consigo terminar o texto já estou mais convencido que não serei mais tolo em sofrer na torcida pela vitória de nossa seleção e sabem por quê? Não sabem, então, saibam a retrógrada CBF nomeou o Dunga como o novo técnico da seleção brasileira, um antigo técnico que dirigiu a seleção na copa de 2010, quando fomos eliminados pela seleção holandesa nas quartas de final.