O Brasil está, novamente, reinventando o futebol. Dizem que ele foi inventado por ingleses, e trazido para cá por um tal de Charles Müller. Foi reinventado, com a implementação em seus fundamentos, de jogadas como: lençol, também conhecido em algumas regiões como chapéu; caneta ou saia; letra ou "L"; lambreta ou carretilha; elástico; bicicleta; entre outras.

As equipes que usavam esta criatividade, geralmente, rompiam os sistemas defensivos dos adversários e marcavam mais gols, ou pelo menos, criavam variados lances ofensivos de emoção. Entretanto, nem sempre era possível atingir a meta (gol), e conquistar a vitória.

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Na copa do mundo de 1970, a seleção brasileira integrou eficientemente a criatividade com o sistema. O resultado que se viu foi a conquista do título mundial. Em 1974, o sistema absolutamente, dominou. Alemanha e Holanda, a "laranja mecânica" chegaram à final. A seleção alemã, sempre conhecida pela eficácia do seu método sistemático de jogo venceu. Na copa subsequente, o sistema holandês estava ganhando, mas perdeu para a Argentina, uma equipe sul americana, conhecida pelo toque de bola envolvente e jogadas criativas, que antes, porém, trilhou um estranhíssimo caminho até chegar à final, com uma goleada mirabolante sobre o Peru, que deixou o Brasil de fora do fechamento.

O futebol mais bonito não venceu, por quê?

O mundo do futebol jamais seria o mesmo, após apreciar aquele jogo criativo, bonito, vistoso e perspicaz.

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Aliás, o mais bonito que já vi em tempo real, já que em 1970 eu não era nascido.

Falo da seleção brasileira da copa de 1982. Que futebol para frente! A todo momento uma jogada de gol, e em diversas destas jogadas, gols feitos, de várias formas. Jogadas pelo meio, pela lateral, cobranças de faltas, meio de campo com jogadores geniais. Jogadores clássicos na defesa. Infelizmente, ocorreu uma tragédia, pois aquele timaço não foi campeão.

Está aí a reinvenção do futebol. Já que jogando um futebol genuíno não foi possível vencer, o método, que dá prioridade ao sistema defensivo foi o que se viu dali em diante. Posicione 10 jogadores atrás e, se for possível, faça um golzinho no contra-ataque. Ganhe de 1 a 0 ou, o empate já é o melhor resultado. O jogo ficou feio, sem graça, sem emoção, com uma tal de duas linhas de 4. Não se joga mais no campo todo, e sim nas intermediárias, como algumas modalidades coletivos de quadra (basquete, handebol, etc.).

Maradona nos deu uma ponta de esperança, mas durou pouco sua bem-aventurança no futebol.

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Romário, Ronaldo, Zidane, Iniesta, Messi, Cristiano Ronaldo, entre outros jogadores insinuantes, eram apenas peças de um sistema, que serviam de escapes para resolver o jogo, de modo que apenas complementavam um sistema, hoje copiado por praticamente todos. Não era um time criativo, mas jogadores acima da média com relação aos demais da equipe. Embora a Espanha tenha, por um período, conseguido efetuar uma boa cópia do futebol brasileiro romântico, parece ter sucumbido ao sistema atual predominante.

Enfim, semifinal da copa do mundo de 2014. Brasil, com seu limitado time, sem o criativo Neymar Jr, que tomara um golpe na partida anterior e estava fora do restante da copa, versus a sistemática Alemanha. Poderia sim, ter feito o óbvio e congestionado o meio de campo com diversos jogadores de marcação, mas não. Resolveu encarar cara a cara. Resultado... abriu o sistema defensivo e tomou a maior goleada da história. Pelo menos, não se viu um jogo amarrado como o que ocorreu no dia seguinte, o sofrível 0x0 entre Holanda e Argentina. O Brasil está reinventando o futebol, novamente. Alguém vai precisar reimplementar um sistema em que enfatize a criatividade, mas a rebeldia de não ter povoado o meio de campo para não deixar jogar, já foi um sinal de que as coisas precisam mudar, porque senão, tomarão um rumo o qual, ninguém conseguirá mais assistir a um jogo de futebol.

Se algumas pessoas diretamente ligadas à modalidade futebol, usarem a inteligência em favor da história, poderão tirar proveito do legado deixado por esta doída e vexatória derrota brasileira.