Com uma brilhante campanha, a seleção brasileira sagrou-se, neste domingo, 25 de agosto de 2014, campeã do grand prix de voleibol feminino pela décima vez. Foram 14 partidas e apenas 1 derrota. Dessa vez, não teve ameaça russa, nem americana, nem chinesa, muito menos cubana, nossas mais fortes rivais. O time brasileiro demonstrou um equilíbrio emocional sobre-pujante, que associado à superioridade técnica e tática, resultou na expressiva conquista.

O aspecto emocional, aliás, repetidamente atrapalhava sobremaneira o desempenho de nossas meninas de ouro, fato observado nas décadas de 1990 e 2000, quando o Brasil quase sempre que estava ganhando uma partida de uma das seleções acima referidas, tropeçava no princípio do "U" invertido, com a ansiedade subindo, subindo e o desempenho caindo, até permitir a virada.

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Neste período, a seleção do Peru também fazia frente à seleção brasileira, pois era uma das equipes femininas mais fortes do mundo. O domínio sul-americano era disputado por Brasil e Peru, enquanto que pela hegemonia pan-americana brigavam Cuba, mais os dois países citados anteriormente.

A característica do técnico Bernadinho, quando foi técnico da seleção feminina, de cobrar desempenho com veemência, talvez tenha sido primordial para algumas atletas exercitarem-se sobre tensão desde os treinamentos, ajustando sua ansiedade a níveis da pressão que uma competição costuma exercer nas equipes. O esporte de alto rendimento traz esta carga mais do que um esporte amador, por exemplo, e as seleções femininas do Brasil, na maioria das vezes, encontrava-se muito bem preparada técnica e fisicamente, mas pecava no controle emocional.

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No voleibol, os erros significam ponto do adversário, e quando se trata de equipes de mesmo nível, com qualidades físicas e técnico-táticas excelentes, o controle emocional decide; portanto, não se pode entregar pontos de graça, pois já é dificílimo ganhar cometendo poucos erros normais. Sim, pois é impossível jogar sem erros, já que estamos refletindo sobre uma atividade de seres humanos. Imagine cometendo-se erros após erros, num jogo que deveria ser equilibrado?

O Brasil demonstrou maturidade e controle emocional com o técnico José Roberto, que parece bem mais calmo do que Bernadinho, mas também é bastante exigente com as meninas. Prova disso foi uma série de "set points" que salvou recentemente num jogo contra a Rússia e acabou virando o jogo e vencendo, além das duas medalhas de ouro olímpicas e dez títulos de "grand prix" conquistados.