Pude, por diversas vezes, observar pessoas que trabalham em alguma fonte de mídia no Brasil, manifestando sua preocupação com a possibilidade de uma limitação na liberdade de imprensa. Esta preocupação não me parece pertinente, quando paramos para realizar uma reflexão sobre o conceito hipotético e fundamentos da tal liberdade. Nos deparamos com uma incoerência significativa e tramada pelo pessoal dos principais veículos de #Comunicação, ao tratar assuntos relevantes como esporte, política e economia. Posso citar dentre diversos exemplos, entrevistas realizadas com pessoas comuns e simples, ao demonstrar expressiva e autêntica sinceridade que, se for contrária à opinião da emissora, por exemplo, um considerável trecho desta entrevista é submetida à edição, de modo que o entendimento do conteúdo soe diferente do que a pessoa entrevistada realmente quis dizer.

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O goleiro do Santos Aranha foi bombardeado com perguntas de repórteres da principal emissora do país, após o jogo que marcou o retorno do time paulista ao estádio do Grêmio depois das atitudes racistas, o pressionando a se conformar com as manifestações de racismo por parte de alguns torcedores do Grêmio, que claramente podiam ser percebidas como represália pela reação do jogador no jogo anterior. Estes alegaram que a torcida pode se expressar, sim. Aranha rebateu, dizendo que foi uma manifestação diferente, que ser chamado de "Branca de Neve" teve a mesma conotação de quando foi chamado de macaco. Os repórteres, ao perceberem que estavam cometendo "gafes" em suas perguntas, passaram a falar fora do microfone e depois, colocavam o microfone na boca do goleiro para que ele respondesse da forma que eles queriam.

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O inteligente goleiro do Santos, então, questionou os repórteres, perguntando se eles concordavam com aquilo. Estes, por sua vez, falavam fora do microfone, de modo que não pudessem ser ouvidos pelos telespectadores.

Afinal de contas, que liberdade de imprensa é esta, se há a necessidade de continuar favorecendo as classes dominantes, quando se busca justificar até mesmo atos racistas, procurando reverter a situação, tentando confundir a vítima, tornando-a a vilã da história e achando que a represália é correta? Ora, convenhamos! Esta liberdade é uma mentira! Não podemos falar ao vivo, mas quando isto acontece, somos induzidos a dizer o que eles querem que digamos.