Rubens Barrichello voltou a vencer um campeonato, após 23 anos de jejum. Seu último título havia sido a conquista da Fórmula 3 inglesa, em 1991, antes de entrar na Fórmula 1, em 1993. Barrichello se tornou campeão do título nacional de Stock Car, na corrida disputada no circuito de Curitiba, no último dia 30 de novembro. Em uma corrida muito animada, o paulista terminou no degrau mais baixo do pódio, com vitória de Daniel Serra e Átila Abreu, na segunda colocação.


Rubinho Barrichello tem uma relação difícil com os fãs. Na hora da perda de Senna, o Brasil cobrou dele que se tornasse o próximo campeão de Fórmula 1, e isso tornou muito duro o ano de 1994 para ele. Só em 2000 chegou a uma equipe de topo: a Ferrari, de Schumacher. Logo ficou claro que, nas poucas ocasiões em que o talento do hepta campeão não o deixasse bem na frente de Rubinho, o brasileiro poderia ter de levantar o pé para ajudar o número um do time - tal como havia acontecido com Eddie Irvine, o anterior colega do alemão. Rubinho se prestou a fazer o papel do segundo piloto, do fiel escudeiro, e foi isso que muitos brasileiros não conseguiram lhe perdoar. Os fãs teriam preferido que ele tivesse acelerado para a vitória naquele Grande Prêmio da Áustria de 2002, defendendo sua dignidade e ignorando as ordens e o seu contrato, deixando Schumacher em seu merecido segundo lugar - mesmo que isso lhe tivesse custado despedida imediata. Na mente dos fãs, essa situação teria pesado mais que as inúmeras demonstrações de talento que deixou ao longo de sua carreira.


Pior terá sido no Grande Prêmio da Espanha de 2009, quando o Brasil compreendeu que a Brawn GP estava favorecendo Jenson Button, em função das estratégias de corrida que atribuiu ao inglês e a seu colega brasileiro. Psicologicamente, deve ter sido bem duro para Rubinho perceber que ia ser novamente o segundo piloto de um time campeão. Para os fãs, que até podiam imaginar Barrichello já retirado, foi o perceber de novo que ele não seria nunca campeão na Fórmula 1. Certo que Barrichello não era páreo para Schumacher, entre 2000 e 2005, e também não foi páreo para Button em 2009.

Mas só tem um Senna em cada geração. E Barrichello não deixou de ser um dos pilotos mais competentes e com melhor currículo de sua época. Na verdade, de todos os que passam pela F1, poucos conseguem vencer um Grande Prêmio, e poucos também os que chegam a equipes de top. Não dá para comparar Rubinho com (e só falando de brasileiros) Ricardo Rosset, Tarso Marques, Pedro Diniz, Antônio Pizzonia ou Piquet Júnior, só para lembrar alguns que tiveram muito menos sucesso. E ele até conseguiu o que menos ainda conseguem: voltar a vencer depois de sair de uma equipe de topo (o GP da Europa de 2009). Irvine nunca mais venceu após a Ferrari, Jacques Villeneuve também terminou suas vitórias ao sair da Williams, e até Schumacher nada ganhou na Mercedes. A fibra de Rubinho, enquanto corredor e apaixonado pelo esporte, vem agora com esse título, super merecido. #Automobilismo