Costumamos afirmar que o Brasil é o país do futebol, apesar das controvérsias, mas tal afirmação poderá ser colocada à prova nos próximos dias com o início da maioria dos campeonatos estaduais de futebol. Pela quantidade de clubes inscritos nessas competições, podemos intuir que existe muita gente mesmo que gosta de bater uma bolinha.

Dos vinte e seis estados da federação, e contando com o Distrito onde se situa a capital da nação, apenas três deles não contam com a infra-estrutura futebolística capaz de promover torneios. São os estados localizados no mais extremo norte do país: Roraima, Amapá e Rondônia, no sul da floresta amazônica.

Publicidade
Publicidade

Quatro campeonatos começarão somente em fevereiro como o amazonense e, em março como os do Acre, Piauí e Tocantins.

A bola já começou a rolar em cinco campeonatos: o brasiliense, o cearense, o paraibano, o pernambucano e o sergipano.

Ficou para o fim de semana que encerra o mês de janeiro e inicia fevereiro o começo das disputas em Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

O estado de São Paulo conta com vinte clubes em sua primeira divisão, e mais quarenta que disputam as segunda e terceira, mostrando que existe interesse e mercado para tantos jogos. Apesar de encontrarmos estados sem futebol, ou com poucos representantes como Piauí e Alagoas, com seis e sete, respectivamente, Acre e Tocantins, com oito, vemos que o futebol é um esporte mexe com o brasileiro, mas ainda tem muito espaço para crescer.

Publicidade

E por falta de matéria-prima é que não deixaremos de crescer, afinal nossos jogadores brilham – e enriquecem clubes e sociedades - em todo o mundo. Por que não temos condições para fazer aqui campeonatos tão bons e ricos quanto os que a mídia nos empurra goela abaixo, somente por ter nos times que os disputam, brasileiros?

Cada boné, camisa, flâmula comprada, ou cada jogo assistido pela TV gera bons lucros para os times europeus. Dinheiro nosso, real, produzido aqui e levado para enriquecer cofres de times que levam nossos jogadores.

Acho que estamos sendo tolos ao valorizar tanto nosso futebol jogado lá fora e o desprezarmos quando é feito em casa.

Acho que somos tolos ao acharmos que ir ao estádio serve para humilhar, ofender e agredir a torcida adversária, em vez de sentir prazer vendo o jogo, mesmo que o resultado não nos seja favorável.

Acho que somos tolos em desejar a derrota de nosso “rival” para qualquer outro time de fora, enfraquecendo o futebol local e fortalecendo o externo.

Publicidade

Pensando bem, acho que o futebol brasileiro não vai bem das pernas, exatamente por que somos assim, e pensamos assim: pequenos. É pena que isso aconteça, mas certamente os clubes do exterior ficam felizes. Somos mina aberta para que eles nos garimpem e levem nossas riquezas.

Mas, vamos ao jogo. O apito vai trilar e a bola vai rolar. Vamos torcer para que façamos pelo menos um gol de honra nesse campeonato que, ao que tudo indica, já tem vencedor: os olheiros estrangeiros.

#Opinião